Blogging manifesto: por que comecei um blog

blogging manifesto

Não sabia bem como começar este blogging manifesto. Só sabia que precisava de um. Até que me lembrei que a Nora Ephron, que sabia tudo sobre tudo, também tinha escrito para o blog do Huffington Post. E encontrei esta belezura:

And one of the most delicious things about the profoundly parasitical world of blogs is that you don’t have to have anything much to say. Or you just have to have a little tiny thing to say. You just might want to say hello. I’m here. And by the way. On the other hand. Nevertheless. Did you see this? Whatever. A blog is sort of like an exhale. What you hope is that whatever you’re saying is true for about as long as you’re saying it. Even if it’s not much.

Nora Ephron

Não parece que fica já tudo dito? E de forma tão clara e bonita? Ter um blog é e/ou deveria ser como expirar. São coisas que saem de nós, com a nossa marca. Não temos de ter grandes expectativas.

O que é um blogging manifesto?

Os especialistas vão dizer que a blogosfera mudou. Quando a Nora Ephron escreveu isto estávamos em 2007 ou lá o que era. Os posts eram curtos. Mais pequenos que algumas captions das redes sociais actualmente. Agora quer-se que todos os “criadores de conteúdos” (blhek) produzam, digamos, conteúdos muito enriquecedores, com posts longos e informativos, que “acrescentem valor”. Qualquer lista de conselhos para quem quer começar um blog o deixa bem claro.

Mas eu acho (sinto?) que não temos todos de estar a criar “conteúdos” super úteis para os nossos potenciais leitores. (E, by the way, o que é super útil? Não é tudo relativo? Não pode ser muito mais “útil” eu reparar que alguém está a ler um determinado livro do que ler mais uma lista sobre razões para abraçar o minimalismo? E by the way por que é que tem de ser tudo útil? Não pode ser só sincero ou belo? Ou tão imperceptível e natural como uma expiração?). Ah, Nora. I do miss you.

I’m here

Sim, talvez tenha uma componente disto. Deixar algum registo da minha passagem. Alguma memória das coisas que pensei naquele dia, naquele momento. Às vezes o tempo passa e sinto que não fiz nada. Não é verdade, claro. Mas é o que eu sinto. Geralmente porque não senti quase nada, com a possível excepção de algum cansaço e/ou aborrecimento. Ler, preto no branco, as palavras que escrevi é uma evidência física, incontornável, de algo que eu fiz. Talvez não seja a melhor razão, mas é uma razão.

And by the way

E já agora, é quando eu estou menos preocupada com os tais potenciais leitores que saem coisas melhores. Digo melhores, porque ainda consigo tolerá-las quando releio passado algum tempo. Não parece nada forçado. Pareço exactamente eu. O processo é o resultado. Enjoy the process. A minha recompensa nisto tudo será o próprio processo e a disciplina de ir escrevendo. De produzir. De não ser uma mera consumidora.

Nevertheless

Eu escrevo para perceber melhor as coisas. Tenho momentos em que me sinto profundamente inteligente e outros em que parece que não sei nada. E escrever ajuda. Estruturar coisas que me ocorrem. Estabelecer ligações entre ideias. Nem que seja para não me esquecer. Mas muitas vezes sinto que só escrevendo sei o que penso. Se é que isto faz sentido.

Whatever

Resumindo, sim. Seja o que for, é algo que tenho de explorar. Escrever para mim, no sentido de ir atrás das coisas que me despertam a atenção num determinado momento. Mas escrever também pensando que poderei vir a ser lida. Que é diferente do que faço no meu diário.

O meu blogging manifesto

Escrevo (e devo continuar, para já, a escrever) um blog pelas seguintes razões:

  • Assimilar o que aprendo
  • Estar mais atenta
  • Deixar o registo
  • Para me expressar
  • Escrever melhor
  • Explorar ideias
  • Sistematizar conhecimento
  • Para não ter medo

Exhaling

Por isso, hello. I’m here. And by the way. Nevertheless. Whatever.


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2 comments

  1. Hello.
    I’m also here.
    E antes de escrever este comentário já percorri o teu site e li muitos outros posts teus. Revi-me e ri-me muito. Sou uma recém-quarentaça (ou melhor, aspiro ainda a ser esta parte do sufixo “aça” que perdi há 10 anos atrás com a vinda do meu primeiro pequeno) e adorei ler-te porque me fizeste lembrar muitos momentos passados, principalmente nos últimos 10 anos, com a chegada do 1° e depois do 2° filho, com o corpo que teimosamente insiste em manter os apêndices que lucrou com as gravidezes. Mas também consegui viajar mais longe com a tua piada da avó com rodas, com as referências ao Harry Potter.
    This too shall pass foi uma frase que entrou na minha vida pela voz do meu marido e que até hoje ajuda a caminhar em frente. Fico feliz por te ter encontrado no meu caminho. Vou ficar e seguir-te no Instagram através da minha conta @wonderliccia .

    Keep rocking, yeah!

    Susana

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