5 coisas que se aprende ao viajar sozinha

viajar sozinha

Viajar sozinha é uma opção que as mulheres só têm há relativamente pouco tempo. Por causa disso, e não só, o mundo em que vivemos ainda não sabe muito bem como lidar com o facto. Ora se idealiza, mistifica e sobrevaloriza, ora se encara com alguma pena/suspeição. Frequentemente, ambas.

Em quase todas as viagens que faço sozinha, alguém me diz alguma variação das seguintes ideias:

  • És corajosa!
  • Não tens medo?
  • Não tens namorado?
  • Pena estares sozinha…
  • Girl power!

Nenhum destes comentários fez sentido nem foi verdadeiro para mim. Tinha de os ouvir porque, aparentemente, uma mulher a viajar sozinha é uma situação “comentável” (sinto que 90% das situações comentáveis de acordo com a nossa sociedade têm a ver com escolhas de mulheres. Outro exemplo.) Mas levava sempre com eles, e por isso habituei-me a responder de forma curta e bem-disposta, mas sem margem para continuar a conversa por ali.

Razões para viajar sozinha

Comecei a viajar sozinha qundo comecei a ganhar dinheiro. Queria conhecer o mundo, ou pelo menos as cidades com museus e cappuccinos e livrarias. Não tinha namorado e as minhas amigas nem sempre podiam. Entre ir sozinha e ir na companhia de alguém que não me apetecia, foi uma escolha natural e tranquila. Deus me livre de passar fretes no tempo “livre”. É uma boa razão: vai sozinha se for melhor do que a alternativa.

Travel only with thy equals or thy betters; if there are none, travel alone.

Buddha (diz-me a Internet)

Uma pessoa lê um livro destes e imagina que vai viajar sozinha e ter uma epifania: imagina que vai mudar de rotinas, conhecer o homem dos seus sonhos e perceber o sentido da vida, enquanto experimenta pratos deliciosos e visita monumentos de postal. Isso pode não acontecer, aliás, quase nunca acontece. Mas, explorar a tua curiosidade é fundamental para viver bem e a tua curiosidade pode não coincidir com a de mais ninguém.

Outra boa razão: liberdade total. Podes fazer só o que te apetece: não há cá compromissos tipo “OK, eu vou sair à noite mas quero estar no mercado às 6h da manhã” ou “Eu pago-te o upgrade, mas recuso-me a partilhar casa-de-banho”.

E uma razão não tão boa para viajar sozinha: achares que vais fugir de um problema. Mudar de sítio, só por si, não te afasta do que te preocupa na maior parte dos casos.

No matter where you go, there you are

Vários possíveis autores (diz-me a Internet)

5 coisas que se aprende ao viajar sozinha

Aqui fica uma lista inspirada nas minhas experiências de coisas que aprendes ao viajar sozinha (para além das outras coisas todas que se aprende em qualquer viagem).

Como tomar conta de ti

É inevitável. Num grupo, há sempre quem desempenhe diferentes papéis. Uns gostam de andar sempre de mapa na mão, outros fazem questão de marcar restaurante, alguns são geniais a escolher hotéis, outros não descuram a logística e documentação necessária. Quando estás a viajar sozinha, és tu que fazes tudo isso. E, se não fizeres, és só tu também quem arca com as consequências.

Como te sentes na tua própria companhia…

Até testarmos, não sabemos realmente o quanto precisamos (ou não) dos outros. É muito diferente uma preferência de uma necessidade. Tu podes preferir andar em grupo, mas é valioso se perceberes que andas em grupo porque preferes e não porque precisas. No início, até te podes sentir desconfortável ou aborrecida, mas sobrevives. Essa é uma grande lição. E isso dá-te confiança.

… E o quanto precisas ou não dos outros

Por outro lado, eu sempre fui uma forte introvertida e uma boa lição para mim foi perceber que estar sempre sozinha não era o meu ideal. Há um limite também para seres tu a escolher tudo, sempre, só à tua maneira. Há certos compromissos que se fazem por amizade ou por amor que nos fazem sentir melhor. Que nos fazem bem.

Os teus gostos e a tua curiosidade

Tempo passado contigo própria, sobretudo longe das rotinas, é uma boa forma de auto-conhecimento. É uma oportunidade para reparar em pensamentos ou emoções em que às vezes não reparas. Teres o dia livre para ocupar como quiseres também te permite perceber de que tipo de actividades realmente gostas, as tuas tendências, as tuas curiosidades.

O mundo é maior do que o teu grupo de amigos

Tudo o resto constante, quando viajas em grupo, estás mais focada no grupo do que em conhecer outras pessoas. Estás mais fechada, é normal. Quando vais sozinha a tua mente abre-se naturalmente, porque tu e todos os outros estão no mesmo plano. Alguém com quem nunca conversarias noutros contextos pode chamar-te a atenção. Há alguma empatia que surge.

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