Os 30 são os novos 20? Vamos lá pensar sobre esta ideia

os 30 são os novos 20

Quem é que nunca ouviu dizer que os 30 são os novos 20 no último mês, ponha o dedo no ar! É uma ideia que está difundida até à exaustão e que faz parte daquelas frases que parece que nos fazem sentir melhor.

Agora, as pessoas casam-se e têm filhos mais tarde, algumas estudam até aos 30, outras vivem em casa dos pais até essa idade. Na geração dos nossos pais, em média, tudo acontecia mais cedo. Era melhor? Era pior?

Não é bem esse o ponto. Há duas considerações importantes. A primeira é se, só porque “podemos”, queremos adiar algumas coisas. E a outra é ter consciência das razões pelas quais adiamos. Este artigo pode ser desconfortável, mas é deliberado. Quero ser uma voz que te diz “pensa no que queres para a tua vida. Não te distraias agora”.

Os 30 são os novos 20?

Sabes aquele episódio dos Friends em que todos fazem 30? A Rachel começa a fazer um plano e conclui que só quer ser mãe aos 35. Mas para isso tem de engravidar aos 34. Mas quer ser casada durante um ano antes de engravidar. E ficar noiva durante um ano e meio. E namorar um ano e tal. E então já deveria estar com a pessoa com que quer casar.

Nem todas temos um plano tão definido. E sem problema! Mas convém ires pensando no que queres e o que isso implica. Não te esqueças que, para uma coisa (seres mãe, seres promovida) acontecer aos 30 e tal, tens de começar a planear e a trabalhar para isso anos antes. Não te dês uma década de borla.

A psicóloga Meg Jay escreveu um livro fantástico chamado The Defining Decade: Why Your Twenties Matter And How To Make The Most Of Them Now. Tive a sorte de o ler aos 20 e poucos e recomendo que o ofereçam às vossas primas, afilhadas ou amigas mais novas.

É um livro que recomendo muito, porque sou apologista de que és livre para decidir o que quiseres. Deves é ter consciência das decisões que estás (ou não) a tomar. E o livro está recheado de outras ideias e conceitos maravilhosos, que provavelmente vão gerar novos artigos aqui pelo blog.

Basicamente este livro comprova uma ideia que tenho defendido: nunca vai ser mais fácil. Tens de pensar no que queres. Mas depois tens de agir. Se queres mudar de carreira ou de namorado, se queres ser mãe ou viajar o ano inteiro, agora é mais fácil do que daqui a 5 anos. Sim, agora. Sim, apesar de tudo.

Não ignores os 20s (nem os 30 e poucos)

O livro diz que a maior parte dos eventos que afectam de forma mais marcada o resto da tua vida ocorrem aos 20 e tais. Aos 30, esse tipo de “autobiographically consequential experiences” não desaparecem, mas desaceleram.

With about 80 percent of life’s most significant events taking place by age thirty-five, as thirtysomethings and beyond we largely either continue with, or correct for, the moves we made during our twentysomething years.

Meg Jay, PhD

Um erro que tantas vezes cometemos é pensar que, ao não tomar nenhuma decisão nem te comprometeres com nada, deixas as tuas opções em aberto. Infelizmente, não tomar decisões é uma decisão.

Não quer dizer que não possas mudar de vida depois dos 30s. Mas definitivamente vai ser mais difícil. É preferível tomares decisões consciente antes, do que tentar reagir ou corrigir depois.

Já passaste por fases em que pensaste “mas eu não sei o que é que quero”? É até saudável que penses isso, como parte do processo de reflexão. Mas não fiques por aí. Não aceites essa frase que o teu cérebro dispara e que a sociedade aceita tão bem (bem demais) até uma certa idade. Faz coisas que te ajudem a perceber. Investe em ti própria. Não te distraias.

Uncertainty makes people anxious, and distraction is the twenty-first-century opiate of the masses.

Meg Jay, PhD

Os 30 não são os novos 20: alguns exemplos

Vamos tornar a conversa mais concreta. Vamos abordar várias áreas da vida em que achar que os 30 são os novos 20 pode ser problemático.

Trabalho

Conheces alguém que adoraria mudar de área, mas que teria de dar um passo atrás, ou ir estudar, ou estagiar sem salário? É uma das coisas que é mais fácil fazer mais cedo na vida.

Na verdade, tudo o que tu fazes contribui para o teu “capital de identidade”. Deixa-me explicar. Quando vais a uma entrevista de emprego, por exemplo, toda a tua identidade está a falar por ti. Não só o teu currículo (cursos, estágios, empregos), mas também todas as experiências que tiveste, a forma como falas e te comportas, o que sabes.

Identity capital is what we bring to the adult marketplace. It is the currency we use to metaphorically purchase jobs and relationships and other things we want.

Quanto é que vais ganhar o resto da vida é, em média, decidido na primeira década da tua carreira. Isso depende, em grande medida, de escolheres os empregos que te trazem mais “capital”. Aqueles em que podes crescer e aprender mais. Aposta também em conhecer pessoas. Sim, networking. Não te feches na tua pequena rede de pessoas de confiança, porque as oportunidades surgem mais frequentemente de pessoas que conheces pior.

Amor

Muito haveria para escrever sobre a forma como a nossa sociedade trata as relações amorosas. Parece que é parvo ou piroso falar de namoro e casamento em certos fóruns. Por outro lado, abundam os reality shows à volta do tema. Por que é que estamos a tirar seriedade a um assunto tão importante? E por que é que sentimos tanta impotência perante ser feliz no amor?

Hoje em dia, as pessoas ficam solteiras até cada vez mais tarde. Mas este livro diz que a taxa de divórcio tem-se mantido estável, o que indicia que não há uma correlação entre casar mais tarde e ter um casamento mais feliz. Por outro lado, tantas mulheres entram em stress com a chegada aos 30, que podem precipitar decisões que noutra idade não tomariam. Vivemos neste sítio esquisito em que passamos de ter todo o tempo para estar “atrasadas”. E nenhum deles é verdade.

Tu podes e deves começar a pensar com quem vais passar o resto da vida muito antes de te casares. É porventura a decisão mais importante da tua vida.

Maternidade

Há um vídeo óptimo da Bumba na Fofinha sobre a pressão de que as mulheres são alvo para terem filhos. É uma pressão horrível, já não se usa e devíamos todos parar de o fazer. Por muito independente e moderna que sejas, ninguém é 100% indiferente, é uma coisa que irrita.

Tendo dito isto, como mulher, tens de saber com que podes contar. Informa-te. Dizer que queres ser mãe mas que lá para os 35 pensas nisso pode ter um custo e vale a pena ponderar.

The management of fertility is one of the most important functions of adulthood.

Germaine Greer, feminist theorist

O tempo é limitado. Para muitas coisas e para isto também. Pensa no que queres.

Então, os 30 são os novos 20 ou não?

Na minha modesta opinião: pode ser uma ideia perigosa.

Ou seja, não te deves agarrar a esta ideia como forma de te enganares e iludires de que ganhaste tempo. O tempo é sempre limitado e deves sempre pensar como o podes aproveitar da melhor maneira.

Mas se estás nos 30s, é verdade que pode fazer sentido pensar assim! Ainda tens muita vida pela frente. Ainda tens oportunidade de investir em ti própria de muitas formas que podem gerar retorno no futuro. ‘Bora miúda!


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E tu? Achas que os 30 são os novos 20 ou não?


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