Orgulho e Preconceito com barreiras

Aprendemos a imitar os nossos heróis, certo? Não conheço o suficiente o trabalho do António Prata para lhe chamar um herói. Mas li uma crónica dele para a Folha de São Paulo que me fez rir. E ver-me ao espelho ao mesmo tempo.

Aqui vai a minha humilde homenagem, como se costuma dizer:

“É uma verdade (…)”. Maria, agora não, a Mãe está a ler. Não, aí não. Só de joelhos. De pé, não. Isso. Isso, que linda. Aí pode ser. “É uma verdade universalmente reconhecida (…)” O que é que a Mãe disse? Ai ai. “É uma verdade (…)” Assim acorda o bebé. Ó-ó. Não chora, bebé. Isso, aqui no colinho. Olha a chuchinha. A chuchinha é boa. É boa, não é? Hmmm, tão boa. “É uma verdade universalmente reconhecida que (…)” Quer dar beijinho ao mano, meu amor? Devagarinho que ele é muito pequenino. Ohh, tão querida. A Mãe vai tirar uma fotografia. Maria?! Cucu! Faça uma carinha linda para a fotografia. Aqui, aqui! “É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro (…)”. A lua? Agora ainda não se vê a lua, estamos de dia. É o sol, meu amor. Ah! Rua? Quer ir à rua? Já vamos à rua, vamos ler uma história primeiro. Onde é que está a história do truz-truz? Truz-truz! Quem é? É a avozinha! Este não? Quer ler a história da Peppa? O que é que a Peppa fez hoje? Isso. Todos a ler! “É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna necessita de uma esposa. (…)” Muita força? Está a fazer muita força? Tem cocó? A Mãe vai ver se tem cocó. Pfff! Venha, vamos tirar o cocó para ficar limpinha! “É uma verdade (…)” Ver o Ruca? Não, não são horas de ver o Ruca. Agora é só à noite. Não, assim a Mãe não gosta. Não gosto nada disso. “(…) necessita de uma esposa (…)” Pronto, estragou-se o livro. Não, a Mãe não vai arranjar. A Maria estragou e agora a Mãe não consegue arranjar. “É uma verdade universalmente (…)” Vai chorar? É uma birrinha? Pode chorar à vontade. “(…) Meu querido Mr Bennet (…)” A Mãe já tinha avisado. Não gosto nada de birrinhas. “(…) disse a sua mulher um dia (…)”. Pronto, pronto. Já chega. Vá. Assim acorda o mano. Vá. Quer ver o Ruca? A Mãe põe um bocadinho o Ruca. Mas só um bocadinho, está bem? “Eu sou um rapazinho…”, “(…) que Netherfield Park (…)”, “embora pequenino…”, “(…) foi finalmente alugado? (…)”, “tenho muito tino”, “(…) Mr Bennet respondeu que não (…)”, “Sou o Ruuuuca”.

Ad infinitum.

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