O que é procrastinar e como podes procrastinar menos

o que é procrastinar

E se eu te dissesse que procrastinar não tem nada a ver com gestão do tempo ou preguiça? Nem com dicas de produtividade, aplicações para o telemóvel ou prioridades. Já alguma vez pensaste o que é procrastinar ao certo?

E se eu te dissesse que é tudo uma questão de emoções? Intrigante, certo?Foi exactamente o que achei quando li este artigo.

Se já deste por ti a arrumar todas as gavetas lá de casa ou a desentupir canos ou a organizar emails em vez de completar a tarefa que era suposto estares a fazer, bem-vinda ao clube. Este artigo é para ti.

O que é procrastinar?

Hey, eu sou especialista nisto. Procrastinar é das coisas que tenho feito com mais sucesso na minha vida. E, por isso, é um tópico de grande interesse, porque não é um grande motivo de orgulho.

A primeira coisa que este artigo defende é que procrastinar não é ter preguiça. Basicamente, é uma forma de auto-mutilação (“self-harm” no original). Aliás, é uma forma consciente de auto-mutilação.

Ouch. Isto assim quase que soa mal. Uma pessoa ouve a palavra mutilação e imagina logo cortes com x-actos. Ou pior.

Mas realmente eu procrastino e sinto-me mal também por saber que estou a tomar uma decisão que não é a melhor para mim. E ainda assim continuo. Reorganizo o congelador inteiro se for preciso. Que sentido é que isto faz?

Por que razão procrastinas?

Esta irracionalidade (fazes uma coisa que sabes que te prejudica) é explicada por uma incapacidade de gerir emoções negativas relacionadas com uma determinada tarefa.

Procrastination is an emotion regulation problem, not a time management problem.

Dr. Tim Pychyl, professor of psychology

BAM.

Ou seja, há tarefas que, por algum motivo, te provocam aborrecimento, ansiedade, insegurança, frustração, ressentimento ou te fazem duvidar das tuas próprias capacidades. E, nesses casos, uma das formas de lidar é assobiar para o lado. Fingir que não é nada contigo.

Esta rejeição pode ter a ver com a tarefa (por exemplo, ter uma conversa difícil) ou com sentimentos mais subtis por ela gerados (por exemplo, medo de não ser competente o suficiente para escrever o conto infantil).

Junta-se a isto o efeito bola de neve, porque quanto mais procrastinas, mais isso te causa ansiedade ou culpa ou baixa auto-estima.

The thoughts we have about procrastination typically exacerbate our distress and stress, which contribute to further procrastination

Dr. Fuschia Sirois, professor of psychology

E as más notícias continuam, porque estes psicólogos defendem que a procrastinação se pode tornar um hábito crónico. Adias uma tarefa desagradável e sentes um alívio imediato. Esse alívio é uma recompensa, que tem algo de viciante, mesmo que saibas que não é a melhor escolha para ti a prazo.

Quais são os riscos da procrastinação crónica?

Não são brincadeira nenhuma. Se passas a tua vida a fazer isto, prepara-te para impactos potenciais na tua saúde muito sérios. E também para problemas de auto-estima e insatisfação. Basicamente, uma vida da treta.

Over time, chronic procrastination has not only productivity costs, but measurably destructive effects on our mental and physical health, including chronic stress, general psychological distress and low life satisfaction, symptoms of depression and anxiety, poor health behaviors, chronic illness and even hypertension and cardiovascular disease.

Yikes.

Como não procrastinar ou como procrastinar menos?

De acordo com estes especialistas, as “dicas de produtividade” que tanto procuramos não são uma verdadeira solução, porque não vão à raiz do problema. Uma vez que não se trata de uma problema de auto-controlo ou de produtividade e gestão do tempo, não vais lá com uma app.

Então o que podes fazer? Joga o mesmo jogo que o teu cérebro. E ganha. Ai ele acha que adiar uma tarefa te traz um alívio temporário? Então o que encontras que supere esse alívio temporário?

The difficulty with breaking the addiction to procrastination in particular is that there is an infinite number of potential substitute actions that would still be forms of procrastination

Dr. Judson Brewer, Director of Research and Innovation at Brown University’s Mindfulness Center

OK. Então o que é que eu faço?

É aqui que o artigo se torna concreto. O que é que eles propõem para melhorar a nossa forma de lidar com a procrastinação?

Perdoa as tuas procrastinações passadas. Esquece o quanto já adiaste até agora, ou quantas vezes no passado isso aconteceu. Liberta-te desses pensamentos e está provado que procrastinas menos. Foca-te no futuro e não no passado.

Auto-compaixão. Sê bondosa contigo própria, perante as tuas falhas e erros. Isto diminui o stress e aumenta a tua motivação. Pensa nos impactos positivos da tarefa que estás a adiar.

Sê curiosa. Cultiva a auto-consciência. Quando começas a procrastinar, observa-te como se fosses fazer um relatório. O que estás a sentir? Como é que isso se manifesta? Em que é que te faz pensar? Etc.

Pondera a acção seguinte. Se fosses fazer a tal tarefa, qual era o próximo passo que darias? Este exercício acalma-te. E não esperes pela vontade de fazer uma tarefa. Começa apenas a fazer a acção seguinte.

Motivation follows action. Get started, and you’ll find your motivation follows

Dr. Tim Pychyl, professor of psychology

Dificulta as tentações. E facilita ao máximo a tua vida. Perdes tempo nas redes sociais? Desactiva as notificações. Nunca sabes o que hás-de vestir? Escolhe de véspera. Cria uma password difícil. Põe o telemóvel noutra divisão. Não compres bolachas lá para casa.

Dicas para lidar com a procrastinação

Isto já não vem no artigo, mas eu tenho testado tanta coisa que até acho que consigo dar algumas sugestões concretas que funcionam comigo.

  • Imagina-te no futuro a ficar grata com o que fizeste hoje. Por exemplo, “a Francisca do futuro vai adorar que eu deixe já artigos de blog planeados para os próximos 3 meses!”
  • Cria prazos para tudo. Eu às vezes ponho-me em situações de stress totalmente auto-impostas. É porque sei que, caso contrário, nunca faria aquilo. Por exemplo, comprometo-me a enviar um documento até determinada data, mesmo que não exista essa urgência.
  • Afasta as distracções todas. Se queres ler um livro, não estejas com a Internet aberta. Se queres enviar um email, desliga o Youtube.
  • Faz só uma coisa de cada vez. Nada de multitasking. Se não, até parece que estás a ser produtiva, mas estás só a procrastinar de tarefa em tarefa.
  • Faz primeiro a coisa mais difícil, ou a que adias há mais tempo. Esta aqui funciona tão bem. Lá está, é tudo psicológico. Se eu deixar para o fim do dia o mais complicado, quão mais provável é adiar?
  • Tenta a regra do 1 minuto (ou dos 2 minutos): se uma coisa demora menos de 1/2 minutos a fazer, faz já. Ou seja, já. Sim, agorinha. Vai lá.


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E tu? Também tens tendência para procrastinar? Que estratégias te ajudam?


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