7 coisas que aprendo com uma criança de 3 anos

criança de 3 anos

Há uns tempos, há um ano atrás precisamente, escrevi um artigo sobre o que aprendia com a minha filha, aos 2 anos. É tão fascinante acompanhar uma criança a crescer. Se estivermos atentas, vemos o mundo pelos olhos dela e rejuvenescemos. Este ano escrevo sobre o que continuo a aprender com ela, agora uma criança de 3 anos.

Tenho uma amiga que diz que quando deixar de ter filhos é como se envelhecesse. E eu cada vez percebo e concordo mais com ela. Há um espírito de constante descoberta que é único.

E uma criança de 3 anos está numa idade tão boa. Tenho outra amiga que teve um bebé e cada vez que nos encontrávamos ela dizia “esta é a melhor idade”. E eu percebo também. Parece que é sempre a melhorar, num certo sentido. Uma pessoa fascina-se com o crescimento deles. Com a sua capacidade crescente de auto-expressão. Tudo o que é novo para eles também o é para nós, através deles. E eu nem li o Montessori.

7 coisas que aprendo com uma criança de 3 anos

Tal como ela diz, nesta fase é “um bocadinho crescida e um bocadinho pequenina”. Aqui ficam 7 coisas que aprendo com uma criança de 3 anos.

1. As palavras são para se usar

É muito mais preciso e claro dizer “periquito” do que pássaro (já nem falo de “piu-piu”). É até mais divertido dizer “galochas” do que botas. E “biscoito” é mais engraçado do que qualquer outra palavra equivalente. É também uma vitória. Saber o que são, saber que palavra usar no contexto correcto. Um triunfo da linguagem. Uma das particulares riquezas de ser humano.

2. Repetição é progresso

É aquele cliché dos livros de auto-ajuda. Uma criança, para aprender a andar, cai muitas vezes. E, cada vez que cai, não pensa “ah, não fui feita para isto”. Tenta novamente. E isto aplica-se a tudo. Uma criança que sobe um degrau uma vez, repete até subir sem esforço. E depois, mesmo que ainda não suba na perfeição, tenta subir mais depressa. E depois tenta subir 5 ou 10 de seguida. E depois tenta de costas. E com os olhos fechados. Não se pode levar à letra, claro, mas desconfio que em certos desafios da vida, em que às vezes assumo que não fui feita para aquilo, poderia voltar a tentar.

3. Não se pode estar triste a dançar

Não se pode. Experimenta. Não dá. O nosso corpo só dança se tu estiveres minimamente descontraída, minimamente contente. Ficas ridícula se assim não for. Acho mesmo que nem consegues. E, por isso, uma boa maneira de melhorares a tua disposição é mesmo pores uma musiquinha a tocar (nem que seja o All I Want For Christmas em Agosto) e abanar essa anca.

4. Pode-se sempre brincar

Lembrete para as adultas que lerem isto: não vale dizer que não há tempo para brincar. Situações em que podes brincar: no banho, a vestir o pijama, a tomar o pequeno-almoço, a calçar os sapatos, a cortar as unhas, a lavar os dentes, a pentear-te. E é tão bom brincar. Não te levares demasiado a sério. Conseguires dar uma gargalhada, conviver com o ridículo.

5. É sempre melhor quando estamos juntos

Eu também me lembro de ser pequena e querer que toda a família participasse. Que todos entrassem no jogo. Que todos viessem. Bastava um não ir e já parecia que faltava algo. E é tal e qual. “Quer ir à rua com a Mãe?” pergunto eu e ela diz “e com o Pai e com o mano”. Às vezes não dá, mas é bom de facto estarmos juntos. Uma criança pode dar muito trabalho, mas é certo que, quando existe uma base sólida, também une quem está à sua volta. Nunca me arrependi do tempo que passamos todos juntos.

6. Uma birra é um pedido de atenção

Gostamos muito de dizer que as crianças fazem birras. Ouvi falar imenso dos “terrible twos”. E fazem. Mas toda a gente faz, só os santos é que não. Eu também as faço. Talvez não chore a bater com os pés no chão, nem entorne um prato de sopa. Mas faço-as à minha maneira. Amuo, afasto-me, sou uma desmancha-prazeres. Já cheguei a bater com portas. E, na maior parte dos casos, resolvia-se com um abraço, com a pergunta tranquila “oh, o que se passa?”, ou com um pão de leite com manteiga. Uma birra é só um pedido de atenção. (Ou um sinal de sono ou fome).

7. Cada um sabe o que sente

Eu não sou psicóloga, nem nada do género. Mas dá-me ideia de que uma criança de 3 anos ainda não tem consciência de que é suposto não sentir certas coisas. Ou, pelo menos, de não dizer que sente certas coisas. Ela diz que tem medo quando tem medo. E diz que tem vergonha quando tem vergonha. Eu ouço e tento resistir ao meu instinto parvo de adulta de lhe dizer que não tem nada de ter medo, que não tem nada de ter vergonha. Tento ouvir, enquanto ela ainda o diz, e tento não a desincentivar de falar do que sente.

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E tu? Conheces alguma criança de 3 anos? O que aprendes com ela?

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