Negative bucket list: 25 coisas que (já) não quero fazer

negative bucket list

Já todas ouvimos falar de bucket lists, certo? Coisas que queres fazer antes de morrer. Ou num determinado prazo. Eu já partilhei a minha bucket list até aos 35 anos neste post. Mas já ouviste falar de uma negative bucket list?

Também pode ser divertido e interessante fazer o contrário. O que é o contrário de uma bucket list? Tanto quanto vejo, há duas hipóteses. Primeira hipótese: fazer uma reverse bucket list, ou seja, listar as coisas que queria fazer e entretanto já fiz. Tipo: tirar o mestrado. Check. É engraçado, hei-de experimentar e lembrar-me de exemplos melhores. Mas hoje queria focar-me na segunda hipótese: aquilo a que chamei uma negative bucket list. Trata-se de listar coisas que não quero fazer antes de morrer.

A Arianna Huffington fala do alívio que representa completar um projecto abandonando-o. E é essa sensação de liberdade que eu quero. Todas as pessoas ambiciosas põem coisas a mais na lista. E agora eu quero que a minha seja minimalista. Por isso faz sentido lembrar-me dos objectivos de que me fui libertando ao longo do caminho. E festejar, por que não?

Just have a conversation with yourself and say these projects are done, over, and then you have energy for the things you’re really going to commit yourself to.

Arianna Huffington

Escolhi só coisas que são mais ou menos realistas, para alguém da minha vida e idade. Poderia incluir algo como “viver 1 ano na Disney” ou “fazer um dueto com a Britney Spears” mas, sinceramente, são coisas que não me passam pela cabeça desde os 14 anos.

A minha negative bucket list

Confesso que foi um bocadinho libertador fazer a minha negative bucket list nesta fase da vida. É engraçado como, mesmo certas coisas que não verbalizamos, podem pesar em nós. Eu nunca tinha dito a mim própria que já não quero ter um cão, e no entanto, é verdade. Surgiu. E assim que o percebi, foi um pequeno alívio.

Recomendo este exercício. Mesmo que não te apeteça escrever uma lista longa, guarda um tempinho para pensares. O que é que parecia que tinhas de fazer ou que um dia farias, mas já não faz sentido? Aceita e congratula-te. A vida está cada vez mais interessante.

Segue a minha negative bucket list:

1. Ir a todos os países do mundo

Já houve uma altura em que o quis. Talvez não todos, todos. Mas muitos. É aquela ganância do ter tudo, de fazer muitos checks. Contava os países onde já tinha estado, lia as histórias de pessoas que viajavam por mais de 100 países. Tentava encaixar mais um micro-estado nos meus passeios pela Europa. Agora não quero. Não dá para tudo e mais importante que os checks tornou-se viver tranquila. Aproveitar as oportunidades que surgem para viajar, sem contagens.

2. Viver noutro país

Já quis viver, ainda que temporariamente noutros sítios. Trabalhar um ano no estrangeiro. Ir aos Starbucks lá do sítio. Exceptuando Erasmus, nunca o fiz. E agora nem me apetece. Apesar de tudo, cada vez gosto mais de Portugal e de viver em Lisboa. Cada vez é mais importante o tempo passado em família, ou, como tenho lido na Internet, com “as minhas pessoas”.

3. Dar um estalo a alguém

Ou atirar-lhes com um copo de martini à cara. Não me considero uma pessoa violenta. Mas tive durante muito tempo esta fantasia. De alguém me desiludir ou ofender e eu, sem sequer hesitar, fazer isto e sair da sala. Ou do restaurante. Sem palavras. Só acção. Só verbos, como diz o outro.

4. Aprender latim

O latim é a matriz da língua que falamos e de várias outras que aprecio. Saber latim é também saber história. E saber falar melhor. Profundamente interessante, por certo. Mas não lhe chamam língua morta à toa.

5. Cozinhar sushi

Ah, que giro, fazer aqueles rolinhos e tal. Mas conheço quem fez e caramba. Não compensa. Ou se gasta uma fortuna em acessórios e peixe ou se compra só salmão e fazem-se bolinhas à mão. Arroz por todo o lado. As peças todas a desfazer-se ou então em matacões grosseiros, que em nada lembram os elegantes pedacinhos japoneses. Esta é uma daquelas coisas que, para mim, mais vale comprar feito.

6. Fazer pão caseiro

Há uns anos era moda e muita gente tinha umas máquinas em casa que faziam. Acho que a Bimby também faz, mas não conheço ninguém com Bimby que faça. Há algo muito primitivo na ideia de amassar o pão. Mas é esse o meu ponto, os primitivos não tinham de se preocupar com outras coisas como depilações, power points e festas de anos.

7. Tocar guitarra

Ainda não desisti do piano. Mas a guitarra, tão boa para convívios, já não me tenta. Dizem até que é um instrumento fácil de aprender para tocar umas coisinhas. Mas não dá para tudo e eu nem sou de estar assim numa rodinha à volta da fogueira, nem nada. Uns acordes meio melancólicos mas bonitos são mais a minha onda.

8. Ter aulas de salsa

Isto era de quando eu queria ser mais espontânea e estar mais em contacto com o meu corpo. Whatever. Nem é que tenha um grande gosto por danças de salão. Mas uma pessoa vê a Jennifer Lopez no Shall We Dance? e pensa que em cinco aulas fica sensual e latina. Mesmo que seja latina. E não é bem assim. Já fui humilhada em aulas de zumba suficientes para saber ver as coisas com clareza. Nem toda a gente foi feita para se abanar.

9. Entrar na política

Eu às vezes até acho que tenho ideias e uma certa vontade de mudar o mundo e melhorar as coisas e deixar uma marca. Mas não é bem isso que os políticos fazem, certo? Fala-se muito e faz-se pouco. Jogos partidários. Poleiro. Podem ser preconceitos meus, mas a vida política não me encanta de todo. Infelizmente. Tenho a triste sensação de que ir para a política é só pedir para sujar as mãos. É pena.

10. Correr uma maratona

Toda a gente corre, ou quer correr. Toda a gente participa pelo menos em meias maratonas. Ou mini, ou lá o que é. Mas eu odeio correr. Assim, por obrigação, fora de qualquer jogo ou brincadeira. Sem ser atrás de uma bola ou de uma criança. E a ideia de ir para um sítio cheio de gente, à torreira do sol, para corrermos em grupo, a troco de uma camisola patrocinada? Não, obrigada.

11. Ballet

As bailarinas são tão elegantes. Que controlo muscular. Que fusão tão bonita entre delicadeza e força. Enfim. Tenho uma amiga que começou a ter aulas durante a faculdade. E dizia maravilhas, que ficou com uma postura e umas pernas óptimas e não sei quê. Mas não. Este comboio já passou. Já para não falar que tenho pouca necessidade de pôr tule à volta do rabo.

12. Ser paga para viajar

Que millenialzinho é que não teve este sonho? Ah e tal escrevia um blogue de viagens ou era a Branca de Neve no Disney Cruise, eu até já sou pálida (existe um Disney Cruise ou sonhei com isto?). E até reconheço que é uma coisa que pode ter piada assim com 20 e poucos.

13. Ter uma casa de férias

Não estou a dizer que podia. Mas, se pudesse comprar uma, quereria? Já não. Uma casa para viver é uma coisa. Mas uma casa de férias prende-nos, acho eu. Se eu comprasse uma casa de férias sentir-me-ia na obrigação de ir para lá sempre que tivesse férias. E as preocupações e os impostos e ter de limpar tudo. Preferia usar esse dinheiro para ir para um hotel.

14. Ter um cão

Esta é daquelas do nunca digas nunca. Em teoria, eu até gostaria bastante de ter um cão. Mas. Percebem? Sempre existiram, e cada vez se afigura mais provável que sempre venham a existir “mas”.

15. Atirar-me de uma ponte

Ou de um avião. Qual adrenalina. Uma vez ia tendo um ataque cardíaco numa mota de água. Já me basta a adrenalina de tentar ser uma boa profissional ou uma boa mãe. De pagar as contas e tentar ser saudável. Não preciso de suplementos de adrenalina. Não, obrigada.

16. Ter gémeos

Valha-me Deus. Por que é que há tantas miúdas que querem gémeos? Será só aquela ideia meio pateta de se vestirem de igual e darem as mãos nas fotografias? É por haver tantas histórias infantis com personagens que são gémeas? Ou já algum pragmatismo de, salvo seja, matar dois coelhos de uma cajadada e ter logo dois? Não sei. Já quis ter gémeos e eu sei que tudo se faz, mas agora que sei mais, fico aliviada por não ter acontecido assim.

17. Trabalhar de casa

Mais um sonhinho de millenial, não é? Passar o dia de leggings, poupar o tempo das deslocações de e para o trabalho. Fazer as pausas ao meu ritmo. Almoçar coisas mais saudáveis. Investir numa zona de trabalho ergonómica. Não ter de suportar o ar condicionado do escritório. Mas depois de ter tido alguns momentos em que estive em casa o dia todo, concluo que não sou tão produtiva o dia todo em casa. Para além de que uma pessoa dá em doida e talvez nem poupasse assim tanto.

18. Viver numa vivenda

Tenho medo. É só isso. Quase todas as crianças que conheço querem uma casa com escadas e eu também quis. Só que as crianças não se preocupam e eu prefiro dormir tranquila.

19. Assistir aos Jogos Olímpicos

Gostava muito e deve ser uma experiência fantástica. Mas olhem a despesa e a trabalheira por causa de um capricho que até se deve ver melhor na televisão. E as multidões. Se calhar isto é sinal de que estou velha. Mas cada vez me apetece menos ir para o meio de multidões. Excepção: se organizarem uns Jogos Olímpicos em Lisboa, contem comigo. Esses não quero perder.

20. Tirar uma fotografia na Abbey Road

Como os Beatles, certo? Ou agarradinha ao Fernando Pessoa, ali na esplanada. Ou a segurar o Taj Mahal entre o indicador e o polegar. Etc. Era a tal mentalidade dos checks. E um certo provincianismo. E um certo querer prender os momentos, até mais do que os mostrar. Mas já não sou assim. Agora motiva-me mais estar na esplanada a ver os turistas a turistar.

21. Costurar as minhas próprias roupas

Inscrevia-me num curso de costura, agora há muitos. Depois, comprava uma máquina de costura barata mas já razoável, como as do Lidl. E a partir daí era só costurar as minhas próprias roupas. Saía mais barato, era mais original e criativo e as peças eram exactamente como eu queria. Deixava de ser refém do grupo Inditex. Só que não. Nunca vai ser algo que me dê prazer suficiente para justificar o trabalho.

22. Ter side hustles

Também é um bocado millenial, não é? Rentabilizar até à última gota qualquer coisinha que me dê algum gozo. Deus nos livre de gastar tempo por prazer. Que raio de vida seria essa? Se podemos tentar com sorte ganhar x cêntimos por hora com muito pouco esforço? I’m over that.

23. Cozinhar todas as receitas do livro da Julia Child

É o tipo de challenge a que costumo reagir bem. Pelo menos desperta-me a curiosidade. Esta ideia surgiu quando li o livro “Julie and Julia”, da Julie Powell, em que ela fazia exactamente isso. Mas a vida é demasiado curta e até posso experimentar algumas receitas, mas não sou uma cozinheira. Para quê?

24. Ter um parto natural

Agora, em princípio, já não dá. Mesmo que viesse a ter um terceiro filho, com duas cesarianas a maior parte dos médicos não recomenda. Nunca me passou pela cabeça não ter um parto natural. A minha mãe foi daquelas sem epidural que pôs os filhos cá fora e disse que já estava pronta para outra. Tudo tranquilo. Mas aconteceu. E agora um parto natural já me parece uma coisa enorme, misteriosa e violenta. Um segredo.

25. Ser fluente em 5 línguas

Para além do português, inglês e espanhol, também queria o italiano e o francês. São tão bonitas. E o investimento nem tinha de ser assim tão grande. Não é como aprender russo ou turco ou mandarim. Mas o facto de serem línguas parecidas também pode dificultar, como eu percebi quando comecei a trocar o espanhol e o italiano. E serem parecidas não significa que sejam fáceis de dominar. Ser fluente exige um grande conforto dentro da língua. E eu ainda não estou lá.


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Esta é a minha negative bucket list. E tu, o que faz parte da tua negative bucket list?


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