Os melhores livros de memórias com histórias inspiradoras

livro de memórias

Já ouviste a expressão “memoir“? Penso que a melhor tradução que existe é “memórias”. É um género que tem vindo a crescer em popularidade e eu acompanho. Cada vez mais me entretenho e aprendo com livros de memórias. É fascinante mergulhar noutra vida, numa dimensão marcante de alguma pessoa real.

Uma nota: tal como tantas coisas, tem de ser “em bom”. Mas nem sempre a fama ou sucesso do autor é directamente proporcional à qualidade do livro. Algumas destas histórias foram o que me levou a conhecer os autores e não vice-versa.

Livros de memórias vs autobiografias

Não são a mesma coisa, apesar de ambas serem uma perspectiva sobre a vida do próprio autor. Uma autobiografia costuma ser a história completa e, geralmente, contada de forma cronológica, de uma vida. Um memoir não é a história completa, mas antes uma parte da história, sob um certo ponto de vista.

Embora às vezes se confundam, num memoir são mais evidentes os temas, os episódios são escolhidos por servirem o argumento (o autor a aprender e a transformar-se). Numa autobiografia os factos são mais importantes.

Uma das melhores definições de memórias que li foi a seguinte:

Memoir is about something you know after something you’ve been through.

Marion Roach Smith

É isto que justifica que uma pessoa escreva as suas memórias aos 20 ou aos 30 ou seja quando for. Não é uma arrogância de dizer que têm uma experiência comparável a alguém mais velho. É antes uma forma de contar como chegaram ao ponto em que estão.

Alguns dos meus livros de memórias preferidos

Aqui segue a lista com alguns dos meus livros de memórias preferidos (nem incluí o Comer, Orar, Amar porque está em todas as listas, sempre). Como vês, é uma lista extensa e tive de excluir alguns! Há para todos os gostos, como poderás ver.

O Ano do Pensamento Mágico

Comprei este livro da Joan Didion há muito tempo, porque sabia que ia gostar dele. Li-o este ano, quando a minha Avó morreu. Foi uma excelente companhia, porque é sobre lidar com a morte. No caso da autora, trata-se do ano após a morte inesperada do marido, ainda por cima enquanto a única filha estava gravemente doente.

Lê também o artigo: Como lidar com a morte de alguém que amamos

A Joan Didion escreve com clareza e grande sobriedade, mesmo sobre os momentos em que o seu pensamento era “mágico”. E quem nunca? Quem nunca quis escolher aquilo em que acredita? Moldar a realidade a alguns pensamentos escolhidos a dedo? E por que não?

Becoming – A Minha História

Este livro da Michelle Obama superou as minhas expectativas. Eu resisti a comprá-lo, porque achei que poderia ser uma espécie de campanha eleitoral em livro. Mas comecei a ler tantas reviews à volta de outros temas que comprei e fiz muito bem.

O livro está dividido em três partes (“becoming me | becoming us | becoming more”). As duas primeiras encheram-me as medidas. A voz dela salta da página e lá estamos nós, em Chicago, a ir às aulas de piano e a tirar o curso e a comprar o primeiro carro. Também vibrei com os dilemas de carreira e com os desafios do casamentos com filhos. Só o final é que me cheirou um pouco a marketing de político. Mas mesmo assim vale muito a pena.

I Feel Bad About My Neck e I Remember Nothing

Talvez não seja para todos os gostos, mas não podia recomendar mais os livros da Nora Ephron, em particular os seus dois últimos. São livros de memórias que se lêem como quem conversa com uma amiga divertida e inteligente.

No primeiro, os ensaios focam-se mais no tema do envelhecimento. No segundo, mais na memória e na morte. Dito assim parece pesado e são o contrário disso. São cómicos, provocantes e profundos. Quer nos filmes quer nos livros quer nos discursos, as palavras da Nora Ephron para mim vão ganhando significado a cada utilização.

Lê também: Nora Ephron: 9 razões para ler tudo o que escreveu

The Woman I Wanted To Be

Não sei como este livro da Diane Von Furstenberg veio parar às minhas mãos, mas gostei muito. Esta mulher parece que teve 7 vidas (perdoa-me se baralhar, estou a escrever de memória): filha de uma sobrevivente do Holocausto, nasceu na Bélgica, foi casada com um príncipe europeu, “inventou” o famoso wrap dress, foi milionária, ia sair para o Club 64, criou um império com moda e cosmética, desfez-se de tudo, viveu em Paris, viveu em Bali, voltou a reconquistar o seu lugar na moda, e muito mais.

Ler o livro é pensar em viagens, ser mãe, moda, relacionamentos, criar um negócio, autoconhecimento, arte. Também levanta temas muito interessantes sobre ser mulher e preconceitos que existem quanto ao tipo de vida que uma mulher pode ter. É ela que diz que desde que se lembra sempre quis ter “a vida de um homem, num corpo de mulher”.

My Life in France

Descobri este livro da Julia Child por causa da Nora Ephron. Não é preciso saber nada sobre a Julia Child para entrar no livro e para gostar dele. Eu não sabia quase nada. Ela explica. Posso dizer que não percebo nada de culinária nem alta cozinha e que fiquei encantada com a forma como ela fala do famoso prato de sole meunière que a inspirou.

Para além de ter uma história de vida engraçada, tem uma voz divertida, fresca, sassy. Conheceu o marido no Sri Lanka, durante a 2ª Guerra Mundial, aos 34. Foram viver para França, ela teve aulas no Cordon Bleu e começou a ficar fascinada com a cozinha francesa e começou a escrever um livro para donas de casa americanas. Parece meh, mas eu gostei.

Sou Um Crime

Este livro conta a história do Trevor Noah, desde o seu nascimento durante o apartheid na África do Sul até se tornar um adulto. O pai dele era suíço-alemão e a mãe era sul-africana, o que na altura era considerado um crime. E mais uma vez ele leva-nos, estamos lá, naqueles bairros por onde ele anda, na missa, nas escolas, nos carros. Mas sobretudo estamos lá com família dele. E sobretudo com a mãe dele.

É um livro que tem momentos cómicos mas que não é “para rir” (nem para chorar). É um bom retrato da vida, na sua total complexidade e riqueza.

Tudo O Que Sei Sobre O Amor

Gostei bastante deste livro da Dolly Alderton. Ela é ultra sincera e, para variar um bocado do resto desta lista, ela é da mesma geração que eu. Por isso, temos as mesmas referências. Quando ela fala de Hi5 e de Tinder, eu sei o que são e como funcionam essas coisas. Dei algumas gargalhadas e em alguns capítulos fartei-me de chorar.

O livro é uma história de coming of age, ela passa de miúda perdida e fútil a mulher complexa, com cicatrizes e um maior autoconhecimento. O título fala em amor e é o fio condutor do livro, mas são várias formas de amor e com outros temas à mistura que certamente terão relevância na tua vida também.

O Homem Em Busca de Um Sentido

E agora, pimbas, Holocausto. Esta obra famosa do Viktor Frankl está concisa e escrita com imensa sobriedade e lucidez. Com todo o respeito, lê-se muito bem. Trata-se de um homem que acabou por desenvolver um ramo (?) da psicoterapia com base naquilo que ele defende que o fez sobreviver aos campos de concentração: viver para algo para além do que era a realidade dele.

Uma das frases que mais me marcou deste livro foi quando, referindo-se aos campos de concentração, ele diz que “os melhores de entre nós não sobreviveram”. Incrível. Mas dá que pensar a muitos níveis este livro.

Must You Go?

Se calhar ninguém ouviu falar de nada disto e eu também não sei como é que este livro me encontrou, mas gostei imenso destas memórias da Antonia Fraser sobre a sua história de amor com o Harold Pinter.

Ela é uma escritora de imensos livros premiados sobre figuras históricas, filha de condes. A certa altura conhece o dramaturgo Harold Pinter (que ganhou o Prémio Nobel) e apaixonam-se, abandonam os casamentos e vivem uma história de amor muito bonita até à morte dele. O livro fala da vida deles, dos poemas e do que escreviam um ao outro, das viagens.

The Fry Chronicles

Este livro do Stephen Fry deu-me vontade de ler tudo dele, ver tudo dele. Só que não dá, porque ele é daquelas figuras ultra interessantes e ultra prolíficas. Sabe tudo, já fez tudo, desde fazer de Oscar Wilde no cinema, a ser comediante, a escrever livros sobre mitologia, a narrar os audiobooks do Harry Potter, e isto é só um cheirinho.

O livro fala de parte da vida dele, desde a faculdade em Cambridge até aos 30. Fala de adição, carreira, comédia, literatura, sexualidade, sei lá. Nunca mais me esqueci que ele diz que fez o curso todo em Cambridge às cavalitas da tese de que todas as comédias de Shakespeare eram, na verdade, tragédias e todas as tragédias, na verdade, comédias.

Just Kids

Este livro da Patti Smith é outro. Uma pessoa começa a ler e está em Nova Iorque e é tudo grunge e poesia e arte e fotografia e esquisito. O livro transporta-te para aquele mundo esquisito. Uma das coisas que me ocorreu ao ler o livro foi: como é que ela se lembra de tanta coisa?

E és também transportada para a relação entre a Patti Smith e o fotógrafo Robert Mapplethorpe, que é também ela esquisita e complexa e grunge e arte e tudo. Não sei explicar bem, mas é um livro lindo.


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E tu? Quais são os teus livros de memórias preferidos?


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