Como usar o Instagram de forma saudável e criativa

como usar o Instagram

Esta coisa de ter uma conta de Instagram “profissional” é o cabo dos trabalhos. Pelo menos para mim, que não consigo ter aquela neutralidade cool. Preciso de saber o que fazer com o Instagram, ou o que ele faz comigo. Que energia mental lhe dedicar e que tempo, mínimo e máximo, lhe conceder por semana. Preciso de saber como usar o Instagram de forma saudável e criativa ou não o usar de todo.

Como usar o Instagram: sou só eu?

Já se sabe que não pode ser verdade, mas parece-me sempre que sou a única com estes problemas. As outras pessoas parecem ser ases na gestão pessoal do que se sentem confortáveis a partilhar e na naturalidade com que o fazem.

O Instagram é uma rede social. Isto significa que, a não ser que já sejas famosa, convém que sejas social. Até aqui, nada de chocante. O que eu aprendi foi que uma introvertida também se cansa nesta sociabilidade, apesar de virtual.

Uma introvertida nunca vai ser a mais natural a partilhar coisas, ainda que sobre alguns aspectos limitados da minha vida. Às vezes vai apetecer ir lá perguntar a toda a gente como foi o fim-de-semana, outras vezes não. Às vezes vai ser frustrante teres de te explicar, ou de ir ao mínimo denominador comum para seres entendida. E se fores introvertida custa-te aparecer. Não é propriamente vergonha. É uma espécie de traiçãozinha a ti própria: não é muito natural e isso nota-se.

Há a parte prática de usar o Instagram, que envolve ler tudo o que alguém escreve sobre o o algoritmo e fazer muitas experiências para tu própria o testares. A que horas publicar? Que hashtags funcionam melhor? Que tipo de imagens são mais atractivas? Como lidar com as stories? Etc.

E depois há parte mais subjectiva, a forma como pode afectar a tua auto-confiança ou bem-estar a constante exposição ao que os outros escolhem expôr. O custo de oportunidade, todos os livros que não estás a ler, ou passeios a pé, ou beijinhos ao teu marido, ou panquecas de aveia, que sacrificas por estares ligada à aplicação.

Instagram e eu: uma história

O Instagram entrou na minha vida como começam todas as más decisões: eu estava aborrecida.

Estava na licença de maternidade, com uma bebé de 3 meses em casa. O tempo passa de maneira esquisita durante a licença de maternidade, porque é uma mistura de mal ter tempo para tomar banho com tempos mortos de grande aborrecimento. Outros bebés de pessoas que tinham andado comigo na escola ou na faculdade estavam a nascer e não apareciam no Facebook. Descobri que estavam todos a ir para ao Instagram.

O Instagram tem duas facetas. Uma activa, aquilo que publicamos e acrescentamos, e outra passiva, aquilo que consumimos dos outros. A certa altura, decidi tentar trazer leitores para o blog e segui os melhores conselhos de especialistas em redes sociais, em especial a Maria, para transformar a minha conta numa verdadeira conta profissional.

Isso significou que deixei de postar apenas quando me apetecia, quase num acto de coleccionadora, a fazer um mosaico com as árvores que vi, cada flor, uma capa de um livro. E que se não ficassem ali, provavelmente desapareceriam para sempre. Passei a ser disciplinada, a planear conteúdos, a ter uma temática mais focada, a ser consistente, a pensar no leitor e não em mim. E isso é tipo outro emprego.

Há dias em que eu me sinto orgulhosa por criar conteúdos, e não ser uma mera consumidora que papa tudo o que alguém decidiu publicar naquele dia. E há outros em que sinto que estou só a perder tempo. Há dias em que eu celebro vitórias de pessoas que sigo, publicamente, no meu íntimo, ou ambos. E outros em que mais valia não ter aberto a aplicação, porque fiquei logo com FOMO (fear of missing out) ou a sentir que andam todos por aí a viver a sua melhor vida e eu sou a totó sentada na retrete a fazer scroll.

Algumas coisas que aprendi sobre como usar o Instagram

Sem prejuízo das dúvidas que tenho, durante este tempo, aprendi algumas coisas sobre o Instagram que partilho contigo.

  • Toda a falta de sanidade advém de deixares o Instagram usar-te em vez de usares o Instagram
  • Quando toda a gente concorda contigo, tens muitos likes; quando alguém discorda, tens muitos comentários
  • Não se pode ter só hits: se fazes um post muito apreciado, o seguinte vai ser pior
  • Há um meio termo entre pôr apenas um emoticon como legenda e escrever um testamento e no meio é que está a virtude
  • Ninguém quer ler publicações que começam com “deixa-me fazer um pequeno desabafo”
  • Quem não tem conta profissional está a jogar outro jogo e não sabe genuinamente o impacto que um like, um share ou um comentário pode ter na tua conta
  • Toda a gente gosta de listas

Como usar o Instagram de forma saudável e criativa

Sejamos sinceras: o Instagram nem sempre é uma companhia saudável. Mas pode ser uma ferramenta de auto-expressão e de ligação a outras pessoas com quem não contactarias de outra forma, pelo menos com a mesma frequência.

Aqui ficam algumas dicas sobre como usar o Instagram de uma forma que te enriqueça mais, ao invés de te deprimir. São dicas que tenho testado, a que vou chegando ou que, após pesquisa, quero pôr em prática.

Sê mais intencional

Desabitua-te de carregar no botão da aplicação por tudo e por nada, por aborrecimento. Não vás ao Instagram sempre que o teu cérebro tem uns segundos de lazer. Não uses o Instagram para calar a voz que está aí dentro e tem medo ou está insatisfeita. Passa algum tempo contigo própria, sem notificações a pingar. Não tapes qualquer vazio. Vai ao Instagram quando decides ir ao Instagram.

Sê social

Estou convencida de que quanto mais a tua abordagem nas redes sociais se aproximar da tua abordagem na vida real, mais natural tudo vai parecer. Tenta, e isto depende de cada uma, contactar de uma forma mais pessoal com outras pessoas. Se alguém foi a um restaurante ou leu um livro que também te interessava, por que não perguntar o que achou? Se és das que mostra tudo, mostra. Se és das que discretamente partilha, faz isso.

Sê uma criadora de conteúdos

Digo isto no sentido mais lato, não tens de querer ser uma influencer para seres uma criadora de conteúdos. Toda a gente que usa as redes sociais pode sê-lo. Basta que contribuas, uma palavra de que cada vez gosto mais. Não tens de revolucionar a aplicação, bater recordes, nada. Só tens de contribuir. Encontrar uma forma de acrescentares qualquer coisa, com o teu cunho.

Selecciona quem segues

Não tens de seguir ninguém. Mesmo no caso de pessoas que conheces na vida real e devias seguir, podes sempre escolher não ver o que elas publicam. O Instagram deixa-te, até certo ponto, ir escolhendo o que queres ver mais. Se ver as publicações de alguém, por muitos seguidores que tenha ou muitos amigos em comum, te deixa sempre a sentir um bocado mal com a tua vida ou ansiosa ou a achar que devias ter mais dinheiro ou ser mais magra para viver bem, unfollow.

Espalha o bem

A vida é uma coisa melhor se não andares por aí a criticar. Mas ainda é melhor se deres o passo extra e acrescentares algo positivo. Se elogiares aquilo que te merece um elogio genuíno, se deixares um like quando alguém ou alguma coisa te agradou. Se apoiares, sem custo, o que os outros publicam. Se te manifestares contente pelo sucesso alheio. Como diz o Miguel Araújo: “não ser contra coisas, ser a favor de coisas”. É bem melhor que a alternativa. Recomendo.


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E tu? Também sentes que tens de trabalhar em como usar o Instagram de forma mais focada no que te interessa?


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1 comment

  1. Fiquei impressionada porque me revi em cada palavra – até na questão de tentar usar o instagram para chamar seguidores para o blogue. O problema é que tenho o blogue completamente parado.
    Em relação ao uso do Instagram, confesso que me sinto perdida. Quando não temos uma vida muito instagramavel e pouco tempo para dedicar à coisa, não fica fácil.

    Beijinhos

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