As 30 melhores coisas que aprendi antes dos 30

antes dos 30

Eu sei que já passei dos 30. Mas vi este artigo da Taylor Swift sobre coisas que ela aprendeu antes dos 30 e também me inspirei. Vai dar quase ao mesmo, certo?

Quer se queira quer não, os trinta são um milestone que nos faz pensar. Neste artigo, trago-te um conjunto de lições que aprendi antes do 30 e que cada vez fazem mais sentido na minha vida.

30 coisas que aprendi antes dos 30

Porquê 30 coisas? Porque eu sou mesmo sábia. Estou a brincar! Era só para ficar um título chamativo. O que significa que até aos 40 vou ter de aprender mais 10 lições-chave.

Vamos à lista.

1. O casamento é o filho mais velho

Aprendi isto no Curso de Preparação para o Matrimónio. Da primeira vez que o disseram, fez-me confusão. Um filho é um filho. E quem tem um filho põe-no em primeiro lugar. Certo? Não é bem assim. Aliás, sobretudo quando aparecem os filhos, é fundamental fazer um esforço consciente para dar atenção e amor ao casamento. Quem acredita na família tem de fazer esse esforço. Sobretudo para o bem dos filhos.

2. Nunca vás sozinha a uma reunião

Isto foi-me dito por um administrador no meu primeiro emprego. Quando eu era praticamente uma estagiária e fui convocada para ir a uma reunião. Eu tinha preparado o Power Point, mas havia umas mil pessoas entre mim e ele na hierarquia, pelo que nunca esperei ir. Só que mais ninguém estava disponível. “Um tipo que aparece sozinho numa reunião, parece um banana”. E todos os chefes que tenho tido põem isto em prática. Já agora, numa reunião em que temos de falar, não pedir cafés nem comida, que só atrapalham.

3. Não há almoços grátis

É a frase emblemática do Professor César das Neves nas suas aulas de Introdução à Economia. Explica-se a si própria, penso eu. Tudo tem um custo, um trade-off. Não há soluções mágicas. Se alguma coisa parece demasiado boa, é porque provavelmente é. Isto não nos ensina a ser desconfiados, mas a não ser ingénuos.

4. Provavelmente é sono

Quando começo a ficar ansiosa, refilona ou um bocadinho lenta, quase de certeza que preciso de dormir. É fechar a boca ou o computador e ir para a cama. Nem vale a pena insistir. Não consigo produzir, ter ideias, relaxar ou divertir-me com sono.

5. A não ser que seja fome

Exacto. Esta é a outra hipótese. Respeito muito aquela frase do “I’m sorry for what I said when I was hungry” porque é a minha vida. E com os bebés é a mesma coisa. Às vezes uma bolacha resolve.

6. Usa um cinto

Se há uma coisa que mudaria no meu vestido de noiva era isso. Quereria uma cintura ainda mais estruturada e marcada. As coisas cintadas ficam-me melhor. Um cinto eleva muitos conjuntos de roupa para outro nível. Pareço mais elegante e mais alta. É só isso.

7. Sou introvertida, mas não sou tímida

Antes dos 30, ou melhor, antes dos 20, tive uma fase em que fui tímida. Depois deixei de ser. Mas sempre fui introvertida. São coisas distintas. Não tenho problemas em falar em público ou dar a minha opinião. Mas tenho pesadelos em ter conversas de elevador que durem 1 minuto ou ir a festas com imensa gente. Se estão na dúvida se são introvertidos, leiam este livro da Susan Cain. É de génio.

8. Compra experiências em vez de coisas

Há um livro qualquer sobre isto. As experiências valorizam-se com o tempo e as coisas desvalorizam-se. Por exemplo, se eu comprar um carro, cada dia que passa o carro vale menos. Mas se eu fizer uma viagem ou for a um espectáculo, cada vez a memória dessa experiência vai ter mais valor para mim. Já para não falar que as experiências podem ser muito enriquecedoras e melhores para as relações interpessoais, etc.

9. As “self-fulfilling prophecies” são reais

Não tinha um nome para isto até ler o Harry Potter. Mas agora encontro-as em todo o lado. Os meus maiores medos são aquilo que mais me arrisco que me aconteçam. Se acreditamos numa coisa, ela ganha poder.

10. A lógica de Deus não é a lógica dos homens

Isto é algo que tenho estado a aprender. Como católica, estou sempre a ser desafiada a ser melhor. E sempre a falhar. É uma aprendizagem e uma lição de humildade. Mas para o fazer tenho de sair da minha lógica, das minhas métricas, da minha noção de justiça, das minhas comparações. Amar sem interesse, nem condições, nem créditos, nem mesquinhices. Amar.

11. Doubt means don’t

Este aprendi com a Oprah. Aplica-se a muita coisa, desde logo às idas às compras. “Não adoro o decote deste top, mas a cor é gira”? Don’t. Aprendi isto antes dos 30 e ainda assim tenho sempre o armário cheio de tralha. É ideal para a maior parte das decisões que tenho de tomar no dia-a-dia. “Será que devo beber outro café?”. “Este vestido fica bem no rabo?”. “Passar tempo com esta pessoa faz-me bem?”. Doubt means don’t.

12. Choose the bigger life

Esta ideia veio da Gretchen Rubin. Também parece ser autoexplicativa. E eu acho que é o conselho indicado para as grandes decisões, as grandes dúvidas. Ela dá o exemplo da decisão de arranjar um cão para a família, com os seus prós e contras. Não é para usar à toa, porque é impossível ter tudo. Mas nas grandes dúvidas, há geralmente uma opção que, mesmo que nos assuste, sabemos que é maior. Mais vida. Essa é a opção certa.

13. Agora já sei cozinhar arroz doce, tiramisu e crumble

Há algo de muito satisfatório em saber fazer sobremesas de que as pessoas gostam. Cozinhar sobremesas não é o mesmo que cozinhar, porque ninguém precisa de sobremesas. Nem de poemas, flores ou aguarelas. Quando cozinho sobremesas, é por prazer e para prazer.

14. Mas pavlova e mousses ainda não

Tem alguma coisa a ver com a textura. Tenho esta receita da Nigella na mira, só tentei uma vez e correu mal. Falho ali algum passo que destrói a magia. Com as mousses é mais uma falta de consistência. Já fiz umas óptimas, mas depois não consegui repetir. E ainda estou para descobrir uma receita fácil e à prova de bala para mousse de chocolate.

15. Todas as pessoas gostam de falar sobre si próprias

Mesmo as tímidas. Ou as introvertidas. Ou as antipáticas. O truque é fazer as perguntas certas. E dar espaço. E ouvir “até à última gota”. Uma coisa que ajuda muito é fazer perguntas abertas sobre sentimentos. Algo do género “e como é que te sentes em relação a x?” ou “qual foi a maior surpresa de y?”. Ou só demonstrar alguma empatia sincera. Por exemplo, “imagino que isso tenha sido desafiante”. Parece treta, mas funciona. Até comigo.

16. Um escritor é alguém que escreve

A J. K. Rowling disse algo deste género numa entrevista que vi. Não é o estilo de vida, ou os hábitos e preferências, ou sequer a publicação. É escrever coisas. Completar trabalhos. O que fica escrito.

E já agora, a estrutura é tudo. Descobri que cortar o elefante às postas e simplesmente pôr os títulos e ir escrevendo, afinal tenho imensa coisa para dizer.

17. Não há guilty pleasures

Antes dos 30, houve uma fase da minha vida, a que gosto de chamar “a idade média”, a.k.a. adolescência, em que tinha vergonha de alguns dos meus gostos. Não me importava de dizer que gostava da Sophia de Mello Breyner Andresen. Mas evitava falar dos meus filmes preferidos (10 Things I Hate About You, The Father of the Bride) ou de algumas bandas cujas letras sabia de cor (S Club 7, Westlife). Ah os anos 90.

Hoje em dia, não tenho nada que me envergonhe ou me faça sentir culpada da mesma forma. Isso já passou.

18. Controlar os meus pensamentos é possível

Tive momentos de grande ansiedade antes dos 30, em que era completamente dominada pelos meus pensamentos. E depois entrava em loop dentro do meu cérebro e a coisa arrastava-se. Até houve uma fase em que ainda alimentava os pensamentos, porque achava que ia chegar a alguma solução. Agora sei que sou eu que domino os meus pensamentos.

19. O que pode ser feito em qualquer altura, não é feito em nenhuma altura

Acho que também vi isto na Gretchen Rubin. É verdade. Aquela falsa sensação de liberdade que vem de poder fazer uma coisa quando quisermos, é destrutiva. A sensação de liberdade é uma ilusão, porque depois fico com “to dos” crescentes e sentimentos de culpa e, ironicamente, falta de tempo. As coisas importantes têm de ter o seu momento.

Plans are worthless, but planning is everything.

Dwight D. Eisenhower

20. Não preciso de 3 blazers pretos

Nem de 4 pares de sapatos “neutros”. Ou de 5 carteiras que “dão com tudo”. Eu quando vou às compras penso sempre que tenho de investir em peças versáteis. E depois quando me vou vestir fico super desinspirada. Claro que uns básicos dão sempre jeito. Mas como diz o outro, não pode ser só batatas. Fazem falta saladas e sumos, chocolate e fruta, peixe e carne e até uma flute de champagne.

21. Presta atenção àquilo a que prestas atenção

Um grande truque. E ideal para aquelas fases em que dizemos que não sabemos o que queremos. O que geralmente é mentira. Ou seja, até sabemos o que queremos. Não temos de saber logo tudo, basta ir seguindo a nossa curiosidade e ver onde ela nos leva. Fascinante. O Austin Kleon e a Elizabeth Gilbert falam bem sobre isso.

22. Se as fotografias não estão em álbuns, vão ser esquecidas

Dá trabalho e dá cada vez mais trabalho, porque cada vez se tiram mais fotografias. Só do último mês, tenho imagens dos meus filhos em combinações e poses suficientes para forrar várias Bíblias. Mas vale a pena perder tempo a organizar algumas delas em álbuns. Caso contrário, é como se não tivessem sido tiradas. Perdem-se no tempo. E toda a gente gosta dos álbuns. Também fazem óptimos presentes.

23. Os filhos são um empréstimo de Deus

Esta frase li numa entrevista da Helena Sacadura Cabral há uns tempos. Acho que é uma forma bonita de expressar a verdade: nós não somos donos dos nossos filhos. Acredito que os filhos são um dom e que os pais têm a sorte e a responsabilidade de criar. Agrada-me a ideia de “ter de prestar contas” a Deus pela forma como os trato. E ao mesmo tempo retira alguma pressão, como se tudo o que lhes acontecer for culpa ou mérito nosso. Não é. Eles são seres humanos autónomos. E creio que esta frase também me ajuda a não cair na tentação de os usar como forma de validação ou afirmação pessoal. Ou como símbolo de status.

24. Não tem de ser tudo um esforço

Esta é talvez a lição mais recente, aquela que ainda estou a tentar interiorizar. Algo muito embrenhado na minha personalidade me faz ter tendência para sentir que tudo tem de ser um esforço. Já reconheci essa tendência. Agora vou aprender a lidar melhor com isso. Talvez aos 40 já consiga.

25. As drenagens linfáticas funcionam

Antes dos 30 acho que não tinha feito drenagens. Agora, não posso dizer que sou assídua, mas já vi os resultados no meu corpo. Sobretudo nos joelhos, que passam de nível “idosa com retenção de líquidos” para “pessoa normal que só precisa de se tonificar toda”.

26. Aprende-se, fazendo

Por muito que eu goste de estudar, só experimentando consigo aproximar-me do objectivo. Ou perceber qual é o objectivo. Quer seja aceitar um novo desafio no trabalho, fazer algo criativo a partir de um hobby, ou educar os meus filhos. Estar constantemente a achar que me estou a preparar significa que nunca estarei pronta.

Say yes first, you’ll figure it out afterwards.

Tina Fey

27. Para emagrecer, tenho de consumir menos calorias

Sou #abençoada com um metabolismo tão lento que como uma torrada e engordo duas. E sou daquelas pessoas que come quando está stressada, cansada, irritada, triste, contente e tranquila. Só não como se tiver um febrão. Ou no último mês da gravidez. Por isso, estou sempre em modo “preciso de emagrecer 3 Kg”. E posso dizer duas coisas:

  1. Emagrecer tem de passar por dieta. O exercício é óptimo, mas não emagrece só por si.
  2. As dietas mais eficazes são aquelas em que como menos. Ninguém diz isto, mas é a verdade. Claro que é ideal se as calorias forem mais “saudáveis”. Mas se ingerir menos calorias do que gasto, emagreço.

28. Time is how you spend your love

Ah. É uma lição que é um verso de um poema do marido da Zadie Smith, o poeta Nick Laird. Não é lindo?

29. Nem sempre é tempo de colheita

Em toda a natureza, há um tempo para colher, um tempo para plantar e um tempo para descansar. A nossa cultura incentiva muito os resultados e está constantemente a bombardear-nos com exemplos daqueles que estão na fase da colheita. Mas há fases em que não podemos estar a produzir, a criar, a construir. E não devemos pressionar-nos a isso. Antes dos 30 ainda me castiguei bastante por não estar a produzir mais em alguns momentos. Agora já percebo melhor que uma fase é tão importante como as outras.

30. This, too, shall pass

O bom e o mau. O desafiante e o aborrecido. O doloroso e o agradável. Esta é uma lição para os bons e para os maus momentos. Neste preciso momento, quando estou cansada de mudar fraldas e de não conseguir fazer nada sozinha, penso nisto. Não só esta fase das fraldas vai passar, como eles vão crescer, estes eles que eles são nunca mais voltam. Por isso, como diz um amigo meu, rema e não chora.


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E tu? Quais foram as melhores lições que aprendeste antes dos 30?


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