9 coisas que toda a gente subvaloriza

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Também há coisas que toda a gente subvaloriza. Há uns tempos escrevi um post sobre coisas que toda a gente sobrevaloriza. Mas o que subvalorizamos pode ser ainda mais escandaloso, embora mais subtil.

Aqui vai a minha lista.

1. Good guys

Sabem do que estou a falar, certo? É relativamente fácil identificar um good guy. É aquele que cumpre o que promete. E não é habitual que nos faça sentir inseguras ou que nos traia. Mas os good guys não parecem tão excitantes, sei lá. Podem parecer aborrecidos. Ou não são um fruto proibido. Ninguém lhes dá crédito, embora algumas de nós tenham a sorte de ter encontrado algum.

2. Os clássicos

Cornetto de nata, t-shirt de algodão branca, calças de ganga, bitoque. A casa dos nossos avós. Torrada e um galão. Orgulho e Preconceito. Os Lusíadas. O jogo do galo. Apenas uma almofada. Mozart. Só porque não estão trending, somos tentados a tomá-los por garantido. E acabamos a comer tostas de abacate com pimenta açoriana enquanto ouvimos uma adolescente a cantar sobre o Twitter.

3. Ser idoso

Vivemos nesta cultura muito youth oriented. Todos caímos no erro de sobrevalorizar os jovens e desvalorizar os mais velhos. Só porventura os que têm mais de 65 anos é que ainda vêem a idade com um certo respeito. Nós desdenhamos daqueles totós porque não têm WhatsApp. E queixamo-nos do trabalho que nos dão, quando temos a sorte de ter pessoas mais velhas próximas. E um dia vamos chegar lá e sentir na pele. Mas sobretudo perdemos muito do que os mais velhos nos poderiam dar.

4. A Sara Bareilles

Quase toda a gente conhece o “I’m Not Gonna Write You a Love Song”. Mas ela tem muitas mais e escreve e compõe a maior parte delas. As letras são lindas. E é ainda melhor ao vivo do que em álbum e por isso, se forem pesquisar no youtube, pesquisem versões ao vivo. Escreve musicais, faz de tudo, canta tudo. Tem uma das melhores vozes que anda por aí. Produziu um musical, apresentou os Tony Awards, até escreveu um livro de memórias que também achei subvalorizado. E é uma pessoa hilariante, sincera e com quem nos podemos relacionar. Não está no negócio de vender looks. Faz-me sentir. É uma artista.

5. Acordar cedo

Ah lembram-se quando eu dormia até ao meio-dia? Que desperdício. Às vezes, nem é por ter filhos que não saio à noite, é só para não estragar a manhã seguinte. Nem todos são assim, mas eu funciono melhor de manhã. E o próprio dia a começar é um sinal tão bom de esperança. E conseguir fazer qualquer coisa antes das outras coisas todas que se vai ter de fazer é tão animador. E o tempo deixa de parecer um recurso tão escasso. Parece que controlamos e não que somos levados ao sabor das circunstâncias. No How I Met Your Mother diziam que “nothing good happens after 3am”. E eu sinto ao contrário: só coisas boas para quem acorda antes das 8h.

6. O Casamento

Totally underrated. Embora, felizmente, veja bastante gente da minha geração a casar com convicção. Mas também há muita gente a dizer que não se casa porque não precisa “do papel” ou que é “só mais um anel”. Ou que o casamento acaba com a paixão ou o romance. É também uma questão de expectativas, claro. Se estamos à espera de alguém que nos complete, pode ser uma receita para o desastre. Talvez fosse melhor todos pensarmos: quem é que eu escolho para ajudar o resto das nossas vidas?

7. Creme hidratante

Uma vez, numa aula de marketing de bens de luxo, o convidado era o responsável de cosmética da Lancôme. Ele disse-nos: “De todos os produtos e ingredientes que as empresas de cosmética usam, só um está provado que efectivamente funciona: hidratante. O que nós fazemos é vender sonhos”. E isto é tudo o que é preciso saber sobre marketing de luxo. Mas fica também a nota de que o simples hidratantezinho é provavelmente o melhor que podemos fazer à nossa pele.

8. Small steps

Toda a gente sabe e toda a gente se esquece. Este é o segredo mais publicitado de sempre. As redes sociais e uma certa narrativa de casos de sucesso também contribui para este mal. Fazer alguma coisa todos os dias, ir fazendo, dar pequenos passos é a única forma. Saúde, dinheiro, conhecimento, técnica, relações, fitness e tudo e tudo e tudo. Só assim se consegue. O resto são acasos. Ou mitos urbanos.

What you do every day matters more than what you do once in a while.

Gretchen Rubin

9. Árvores

Uma vez, durante um safari, o guia disse que à hora da sesta todos os dias ia ler sobre árvores. Isto pode pôr-me no campo dos esquisitóides, mas eu acho que as árvores são uma coisa que se subvaloriza. Não olhamos o suficiente para elas. Não nos lembramos o suficiente. Não as vemos. Com as flores e, até, com a Natureza em geral também se passa um pouco isto. Só que há postais e há coisas mais espampanantes que acabam por dar mais nas vistas. Mas as árvores são um sinal de vida imponente. Também eu gostava de ir aprender mais sobre elas.

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