7 coisas que aprendo com uma criança de 2 anos

2 anos

Infelizmente, as redes sociais estão a banalizar a expressão, mas ter uma criança ou um bebé com 2 anos (dá para os dois, ainda) é uma bênção. 

É também cansativo, exasperante, potencialmente doloroso, hilariante, uma sujeira, uma alegria, rejuvenescedor, confuso, indutor de insegurança, lamechas, sério, desafiante, brilhante. É passar o dia a limpar, ensinar, pôr a dormir, ter saudades, rir à gargalhada, dançar, brincar. 

A 2-year-old is like having a blender, but you don’t have a top for it. 

Jerry Seinfeld

Se deixarmos, aprende-se muito com uma criança de 2 anos. Aqui seguem 7 coisas que tenho aprendido com a minha. 

Fome é fome

Ela só come quando tem fome. Às vezes nem isso, se tiver muito sono ou sobrestimulada. Mas o meu ponto é, se não tiver fome, não come. Não sabe ainda o que é a gula ou o comer porque está aborrecida ou por hábito ou para compensar o que quer que seja. Se lhe apetecer uma língua de veado e, a meio, já não lhe apetecer mais, ela devolve um terço de língua de veado. E argumentos racionais também não interferem nessa maneira de comer tão animalesca, tão intuitiva, tão natural. Não vale a pena dizer-lhe “mas tu gostas tanto de pêssego!” ou aquele clássico de “as cenouras fazem os olhos bonitos” ou “come mais carne para ter forças para brincar”. Ela é que sabe.

Ver-se ao espelho e dizer uau

Ela vê-se ao espelho, ri-se e diz Uau. Talvez tenhamos sido nós a dizer isto e agora ela repete. Mas não deixa de ser cómico e uma bela atitude a replicar. Ou seja, quem me dera. Ainda não saber o que é ser gorda ou magra, alta ou baixa, loira ou morena. Ficar só agradavelmente maravilhada e surpreendida com a minha aparência. Tipo, olha pra mim com esta t-shirt tão espectacular ou com estes dentes hilariantes.

Não andes, corre

É impossível estar aborrecido a correr. Experimentem. Porquê andar se podemos correr? Não há uma música assim?

Mas é uma coisa mais de crianças, não é? Faz-me lembrar de um poema que encontrei há tempos no Instagram:

my daughter will not

know me in the hot-

white brightness of

the summers I spent

on cobblestone, will not

know me electric,

casting out and

pulling in and

feasting. I will be

always urging

caution, pause.

she will think

that is how I

was born

Alison Corbett

Ela nunca vai conhecer essa criança que eu fui e que corria para os sítios onde tinha de ir, mal podendo esperar pela vida toda. Só me vai conhecer a gritar “cuidado!”. Mas é a lei da vida.

O telefone ali

Sinto-me um cliché ambulante quando ela olha para mim a meio de uma brincadeira e diz “Mãe, o telefone ali!” e aponta para a mesa. Tem razão. É impossível brincar e, ao mesmo tempo, estar a mexer no telemóvel. Não há cá multitasking possível no tempo que passamos com as crianças. É uma coisa que exige a nossa presença a 100%, ou então está mal feita. Como a meditação ou o sexo.

Mãe, olha, formigas!

Estou com ela e de vez em quando ouço um “Mãe, olha!”, gritado, urgente, cheio de entusiasmo. Às vezes é uma formiga. A minha rua quase parece um safari, quando encontramos também pombos, bichos da conta, melros, pardais, abelhas, moscas e cães. Tanta coisa que eu já nem via. Outro dia era um cabelo pendurado na parede onde costumamos ir à missa. Ou a gota que pinga na torneira da cozinha, depois de a termos desligado. Ou o Pai que estava a fazer uma careta. Um menino num triciclo e o que ela diz ser o avô do menino (com base na cor do cabelo ou qualquer outra pista da idade do dito avô, que acho surpreendente). Ou uma folha caída de uma árvore. Um grande cocó de cão ou um pequeno cocó de pombo. O ponto é que ela me ensina a ver.

Vamos à R-U-A!

Se ela puder, até ter sono, está sempre na rua. E nós que às vezes temos de os pôr a ver o canal panda, para fazer o jantar ou ir à casa-de-banho. Vamos à rua!, grita ela, sem perceber como é que nós também não o vemos, por que é que não nos mexemos mais depressa. É muito melhor do que estar em casa. Respirar outro ar, ver se está vento ou não, os animais, as pessoas (que se dividem em senhores, senhoras, meninos, meninas e bebés), as motas, as bicicletas, o sol ou a lua, as lojas, tudo!

O tempo é o agora

Não vale a pena dizerem-lhe “a seguir ao almoço vamos ao parque”, porque ela ouve “parque” e dá um salto da cadeira e aparece com o panamá na mão a dizer “vamos!”. Os avós vêm amanhã, quem é que encontrámos ontem?, há bocado comeu o quê?. Tudo inútil. Ela não percebe. Ela responde “não, a bebé está a brincar”. “Sim, mas depois daqui a bocado quando for noite vamos jantar”. “A bebé está a brincar”. 7-0 para os bebés.

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2 comments

  1. A minha criança de 2 anos corrobora todas à exceção da primeira – tenha comido no dia anterior ou um javali ha 5 min, a palavra de ordem é sempre MAIS, mãe! 🤷🏻‍♀️

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