Como sobreviver a um casamento quando és introvertida

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Um introvertida vai a um casamento e… sobrevive. Sim, eu digo-o: os casamentos de hoje em dia não são para introvertidas. É só mais uma daquelas coisas que a sociedade toma por garantida, mas que estão feitas à medida dos extrovertidos, tais como os open spaces, as dinâmicas de grupo, ou a música ambiente.

Percebem o que quero dizer? Os casamentos a que foram nos últimos 7 anos não foram todos parecidos? É quase o meu maior pesadelo, se pesarmos bem. Imensa gente, pistas de dança com música alta que é suposto dançarmos, toda a malta a quem mal acenaríamos se nos cruzássemos na rua, bêbados desinibidos, muito tempo fora de casa, fotógrafos e filmagens, vários grupos misturados, os Gipsy Kings.

Se é verdade, como a Susan Cain diz, que cerca de 50% das pessoas são introvertidas, isso significa que, em média, metade das pessoas que estavam no último casamento a que foram acha que já está na hora de ir para casa pôr o pijama.

Como saber se és introvertida?

Eu sei que nem todas as introvertidas são iguais a mim. Há muitas variantes. Mas parece-me que os pontos em comum na maior parte das introvertidas colidem com a forma como festejamos os casamentos hoje em dia. Não é para me gabar, mas às vezes sinto que fiz um esforço heróico por ir a um casamento de um grande amigo. Não é estranho?

E outra coisa: eu também sei fingir. É possível eu quase não parecer introvertida, se me esforçar muito e beber uns copos. Mas, não sei, cada vez tenho menos paciência para esse tipo de esforços. Os meus amigos não são meus amigos por acharem que sou extrovertida. E cada vez valorizo mais uma noite de sono como deve de ser.

Cerimónia: tudo controlado

Até aqui, tudo OK. Certo? Estamos sentados. Toda a gente está sossegada, sabemos como nos comportar. Não é suposto haver grande espontaneidade, nem manifestações de afecto, nem sequer grandes conversas. Óptimo. Ideal.

A noiva está linda, o noivo quase que se comove. Etc. Depois termina e começamos todos a olhar à volta. Para onde é para ir? Esperamos? Olha, estás boa? Já te tinha visto. Eu já aí vou. Estás gira! Adoro os sapatos. Não trouxeram o vosso bebé? Ah, os avós. Sim, a noiva está linda.

Ou seja, começa o forrobodó.

Cocktail: quem é que eu conheço?

Um fiozinho de transpiração a descer pela parte de trás da perna. Vamos lá. Ora quem é que eu conheço aqui? Talvez antes vá buscar um copo. Fila. Olha, estás boa? Os saltos começam a fazer-se sentir.

O cocktail pode correr bem se até conseguimos ter uma conversa de jeito com algum amigo. Mas é provável que não. Que seja suposto circular e fazer conversa de chacha com muita gente. Ouvi dizer que mudaste de emprego! E o vosso bebé? Sabes quem é que eu tenho encontrado? Etc.

Refeição: socialize com estranhos!

Das duas uma: ou conhecemos as pessoas da nossa mesa ou calhamos na mesa das pontas soltas. Acontece. De qualquer forma, são muitas horas sentada ao pé das mesmas pessoas. Mesmo quando o serviço é rapido. Muitas horas para socializar.

Pista de dança: la tortura

Não é que eu não goste de dançar. É só que não adoro. Muito menos à frente de dezenas de estranhos e de colegas de liceu e coisas do género. E há dias em que não me apetece.

Eis uma lista de coisas que já fiz para tentar ficar na mesa enquanto outras pessoas dançam: apontar para os saltos e fazer um esgar de dor, ir buscar mais comida e apontar para os queijos, dizer que estou grávida, dizer que posso estar grávida, fingir que estou a meio de uma chamada telefónica, ir à casa-de-banho e voltar, fingir que estou a terminar uma conversa super particular, referir que acordei às 5h da manhã.

Nenhuma destas coisas resultou: há sempre um ultra-extrovertido que me vem puxar enquanto dá passinhos de dança e me arrasta para a pista. Ou pior: que aparece com copos de shot.

Quando uma pessoa pensa que já deu o que tinha a dar, elas vão trocar os saltos por uns sapatos rasos. Só estão a começar.

O casamento de sonho para uma introvertida

Nem o meu casamento foi um casamento de sonho para introvertidos, no sentido em que foi semelhante a tantos outros. Com os mesmos momentos e tipos de programa.

Mas imaginemos. De que gostaria um introvertido? De um evento mais pequeno, sem cocktail e em que toda a gente se conhece. Alternativas à pista de dança. Um evento mais rápido, com menos horas de festa. (Esta fez-me lembrar do “You have delighted us long enough.” do pai da Elizabeth Bennet no Pride and Prejudice). Ah, e sem Gipsy Kings.

E tu, se és introvertida, também sentes esta dificuldade em casamentos e grandes festas? Se não és introvertida, conheces alguém para quem ir a uma grande festa seja uma tortura?


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