Ser mãe, agora que sou Mãe: tudo isto é amor

ser mãe

Ser mãe

E então alguém disse o seguinte:

A minha mãe sempre trabalhou com horários exigentes e eu nunca me lembro de sentir que ela não estava presente.

E eu lembrei-me dessa frase agora. Agora que estou prestes a terminar a minha segunda licença de maternidade. Comigo passou-se o mesmo. A minha Mãe sempre trabalhou. E sempre esteve lá. Olhando para trás, para todas as imagens, memórias e ideias sobre memórias. E para as fotografias e filmes e momentos importantes e recortes de dias banais. A minha Mãe estava lá.

Não sei como é que ela fez. Mas é improvável que tenha estado realmente sempre lá. Talvez também não estivesse em casa quando eu adormeci alguns dias. Talvez eu tenha ficado na minha Avó noutros. A questão é que não me lembro. A questão é que não é uma questão.

Mom guilt

Todas as mães que conheço dizem que sentem culpadas às vezes. (excepto a mãe do Ruca, falo sobre isso neste post). É um fenómeno mais específico das mulheres. Mas vem com o território, és mãe, tens culpa.

Conforme este artigo explica, está estudado que sentirmo-nos culpadas não ajuda a alterar comportamentos futuros. Para além disso, reforça a parte do cérebro que procura gratificação. Isso explica aqueles dias em que o chocolate lá de casa vai todo à vida. Mas o mais importante a retirar é que não é por nos sentirmos culpadas que somos melhores mães, pelo contrário.

A minha Mãe também sentiu as suas culpas. E, provavelmente, a grande maioria das coisas que fizeram a minha Mãe sentir-se culpada são coisas que eu nem notei. Isso acaba por ser reconfortante para mim, para nós.

Tudo isto é amor

E entretanto é um novo ano escolar. E ao percorrer as zonas de regresso às aulas do Continente, lembrei-me que, no início de Setembro, a minha Mãe forrava todos os meus manuais escolares com papel autocolante transparente. Ficavam lisos, sem bolhinhas de ar, e protegidos para o ano inteiro.

E então comecei a pensar na quantidade de coisas pequeninas que a minha Mãe fazia. E em como tudo o que fazemos por alguém é amor.

A minha mãe cozinhava peixe cozido para toda a família, apesar de ser a coisa que mais detesta comer, a seguir a sardinhas. Era a voluntária para fazer as actas das reuniões de pais. Não me lembro que falhasse uma ida ao pediatra. Lia-nos histórias à noite e fazia-nos a vontade de analisar cada história, com a respectiva lição de moral, mesmo quando estava prestes a adormecer. Organizava as nossas festas de anos. Cozinhava a nossa sobremesa preferida em datas especiais, como quando fazíamos anos de Baptismo. Respondia detalhadamente aos “testes” de História que eu criava na fase em que queria ser professora. Foi comigo comprar os primeiros soutiens. Desmanchava o meu hambúrguer, porque eu preferia. Assistiu a inúmeros jogos de voleibol, com o meu Pai. Quando eu estava em Erasmus, enviou-me várias revistas Hola. E manteve um diário nesse período, num caderninho de capa encarnada. Mostrou-mo quando voltei e basicamente contém o que eu tinha contado na chamada de Skype e uma indicação de quanto tempo faltava para eu voltar. Mas sempre me incentivou a ir. Caramba, ser mãe é ter de estar sempre a deixar ir.

E deu o exemplo. Arranjava-se em casa na maior parte das vezes, para poupar dinheiro ou tempo. Nunca me respondeu de forma condescendente, como às vezes fazem com as crianças. Sempre fez com que eu e o meu irmão sentíssemos que éramos únicos, igualmente amados. Encontrou sempre oportunidades para festejar e celebrar a vida. Trabalhou e foi Mãe, ainda o é. Nunca perdeu o sorriso.

Tudo isto conta. Tudo isto é amor.

Obrigada, Mãe.

Também podes gostar

Deixe uma resposta

You have to agree to the comment policy.