Nora Ephron: 9 razões para ler tudo o que escreveu

Nora Ephron

Nora Ephron – Fonte: Oprah

Só queria partilhar isto: a Nora Ephron era um génio. Não é muito conhecida em Portugal, mas é uma das minhas escritoras preferidas. Ela teve várias vidas. Foi jornalista, cronista, argumentista, realizadora, escreveu peças de teatro, memoirs e blogs. Recomendo tudo.

Sinto-me mal porque não lhe vou conseguir fazer jus aqui. Por isso vou tentar usar ao máximo as palavras dela. Ela parecia saber muito mais que a maior parte de nós. E conseguia ser esperta e interessante ao mesmo tempo.

Segue uma lista resumida de alguns dos seus melhores momentos (sem ordem).

1. When Harry Met Sally

Esta é a melhor comédia romântica de todos os tempos. Daquelas que deixa o próprio género orgulhoso. O filme tem um dos melhores one-liners do cinema: “I’ll have what she’s having“. Mas é tudo em bom. O enredo, a caracterização das personagens e os diálogos. E Nova Iorque em grande forma. A Nora Ephron foi a argumentista. 

O golpe de génio:

“I came here tonight because when you realize you want to spend the rest of your life with somebody, you want the rest of your life to start as soon as possible.”

2. I Feel Bad About My Neck

Foi com este livro que a fiquei a conhecer. Estava a tentar habituar-me a umas sandálias de salto alto que tinha comprado para uma festa. Andava de um lado para o outro da cozinha a ler e a sentir-me adulta. O subtítulo é “And other thoughts on being a woman”. É o primeiro livro de memórias, escrito sobre o envelhecimento. Mas ao fim e ao cabo sobre tudo. 

O golpe de génio:

Reading is everything. Reading makes me feel like I’ve accomplished something, learned something, become a better person. Reading makes me smarter. Reading gives me something to talk about later on. Reading is the unbelievably healthy way my attention deficit disorder medicates itself. Reading is escape, and the opposite of escape; it’s a way to make contact with reality after a day of making things up, and it’s a way of making contact with someone else’s imagination after a day that’s all too real. Reading is grist. Reading is bliss.”

3. I remember nothing

O segundo e último livro de memórias. A Nora Ephron escreveu-o quando já sabia que tinha leucemia e que ia morrer. Inclui duas listas intituladas “What I Will Miss” e “What I Won’t Miss”.

O golpe de génio (sobre o fim do amor):

“People always say that once it goes away, you forget the pain. It’s a cliché of childbirth: you forget the pain. I don’t happen to agree. I remember the pain. What you really forget is love.”

4. Heartburn

Esta é a história, muito pouco romanceada, do fim do segundo casamento da Nora Ephron. Quando está grávida de oito meses do segundo filho, descobre que o marido anda a traí-la. O título encaixa na história na perfeição. Começa com “someday this will be a funny story” e é sobre transformar limões em limonada. Ou vinagre em vinagrete neste caso.

O golpe de génio:

“”Why do you feel you have to turn everything into a story?” So I told her why: Because if I tell the story, I control the version. Because if I tell the story, I can make you laugh, and I would rather have you laugh at me than feel sorry for me. Because if I tell the story, it doesn’t hurt as much. Because if I tell the story, I can get on with it.”

5. A sátira de “A Rapariga Com a Tatuagem do Dragão”

Esta peça para a revista The New Yorker só vai ter piada para quem tiver lido algum dos livros desta saga sueca. Mas vai ter mesmo muita piada. A Nora Ephron imita na perfeição o estilo do original. Aproveita também para embutir as principais falhas do livro no próprio conteúdo.

O golpe de génio:

“Salander opened the door a crack and spent several paragraphs trying to decide whether to let Blomkvist in. Many italic thoughts flew through her mind. Go away. Perhaps. So what. Etc.”

6. You’ve got mail

Tudo em bom também. Meg Ryan, Tom Hanks, Manhattan e livros. O filme foi escrito e realizado por ela. Destaco o momento em que a Meg Ryan acaba com o namorado de longa data. E a forma como ela responde à pergunta dele:

O golpe de génio:

“Is there someone else? No. But there’s the idea of someone else.”

7. O conselho que a Nora Ephron deu à Lena Dunham

A Lena Dunham escreveu um ensaio a propósito da morte da Nora Ephron. Descreveu como se conheceram e os conselhos que recebeu da escritora. Falaram também sobre encontrar o homem ideal. A teoria da Nora Ephron?

O golpe de génio:

“You can’t meet someone until you’ve become what you are becoming.”

8. Everything is copy

Isto foi uma das lições que a mãe dela lhe passou. Significa que tudo é material que pode ser usado pelo escritor. Ela conta que a mãe não tinha paciência para ouvir queixas e lamúrias. Dizia para voltarem quando tivessem uma história engraçada para contar.

O golpe de génio (parafraseando, lembro-me de ela ter dito isto algures):

“If your slip on a banana peel, people laugh at you. But if you tell people you slipped on a banana peel, it’s your laugh. You are the hero of the joke.”

9. Commencement speech

Este foi o discurso de final de curso que a Nora Ephron fez às alunas de Wellesley, onde tinha estudado. É inteligente, inspirador e cheio de humor. Vale a pena ouvir.

O golpe de génio:

“Above all, be the heroine of your life, not the victim.”

Conclusão

A Nora Ephron deixou saudades (ela morreu em 2013). Quem me dera ter algo de novo para ler que ela fosse publicar este ano.

E a menina?

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