Gestão da atenção vs gestão do tempo: o truque

gestão da atenção attention management

Gestão da atenção

Li este artigo do Adam Grant para o New York Times, sobre a importância da gestão da atenção. A tese do autor é que tentar gerir o tempo não só não funciona, como é problemático. Só contribui para ficarmos mais ansiosos, porque não podemos alterar a quantidade de tempo que temos.

There are a limited number of hours in the day, and focusing on time management just makes us more aware of how many of those hours we waste.

Adam Grant

A gestão da atenção é onde nos devemos focar.

Tentar gerir o tempo é um erro

Perdi mais tempo do que se possa julgar em formações de gestão do tempo. Entre a faculdade e o trabalho já tive pelo menos 5 ou 6 formações dessas. Soft skills, como lhes chamam. Da minha experiência, as formações de gestão do tempo têm algumas características em comum:

  • Demoram tempo
  • São extremamente aborrecidas
  • A palavra “procrastinar” aparece geralmente isolada num slide
  • Algures na sessão surge aquela historieta das pedras grandes e pequenas para pôr num balde, depois a areia e no fim, quando se pensa que já não cabia mais nada, ainda cabe a água!
  • Não se percebe ao certo qual a formação do formador que o qualificou a dar formações daquelas

Em vez de tentar gerir o tempo, devemos pensar no que prende a nossa atenção. Em defesa da gestão da atenção, o autor usa um argumento que me parece tão revolucionário quanto simples:

Prioritize the people and projects that matter, and it won’t matter how long anything takes.

Adam Grant

Preguiçosa ou desmotivada?

Por que é que durante a semana não me consigo levantar quando o despertador toca e ao fim-de-semana, quando posso dormir à vontade, acordo às 7h?

A pergunta não é minha. Quem me dera. Os meus despertadores são os bebés e não distinguem os dias úteis. Mas quando a minha amiga a colocou, a resposta pareceu-me óbvia. Ela tinha toda a motivação para começar o fim-de-semana o quanto antes, mas muito menos para ir para o trânsito e para o escritório.

Na sua pesquisa, o Adam Grant concluiu que as pessoas mais produtivas não se martirizam sobre que desejos servir. Fazem tudo: aquilo que lhes apetece e aquilo que deve ser feito. Mas escolhem os projectos/tarefas que lhes interessam mais pessoalmente e/ou com impacto a nível social.

Sendo assim, continua o artigo, os nossos problemas de produtividade muitas vezes não se devem a uma falta de eficiência, mas a uma falta de motivação. A produtividade só por si não é uma virtude, é antes o meio para um fim. Se só queremos ser produtivos porque sim, vai ser tudo à custa de força de vontade. Pelo contrário, prestando atenção ao que nos entusiasma e a quem beneficiarão os nossos projectos, seremos intrinsecamente motivados.

Attention management is the art of focusing on getting things done for the right reasons, in the right places and at the right moments.

Adam Grant

E a criatividade?

Do ponto de vista da gestão do tempo, a produtividade e a criatividade são incompatíveis. Para sermos produtivos temos de eliminar todas as distracções. Para sermos criativos, devemos baixar os nossos filtros de atenção. A criatividade alimenta-se de deixar passar pensamentos não relacionados ou divergentes. No fundo, ser criativo é deixar-se distrair.

Assim, ser criativo e ser produtivo exigiriam estratégias de gestão da atenção opostas. A gestão da atenção é uma alternativa a este paradoxo. Ela diz-nos que devemos ser conscientes do timing das distracções. Ou seja, decidir quando queremos ser mais ou menos criativos.

Outras dicas

Ao longo do artigo, o autor especifica várias formas de pôr em prática esta gestão da atenção. Têm a ver com reparar nos padrões (tempo, espaço, contexto, etc.) em que as tarefas funcionam melhor para nós. E adaptarmo-nos a esses padrões.

  • Onde: os estudos mostram que somos mais produtivos quando está mau tempo. Estamos menos tentados pela ideia de sair. Por isso, estar num sítio onde está a chover, por exemplo, é melhor do que numa praia deserta.
  • Quando: cada um de nós tem o seu próprio ritmo circadiano. Isto é, ao longo das 24 horas, há alturas em que estamos mais atentos. Por exemplo, eu sou uma morning person. Estou mais alerta durante a manhã. Por isso, deveria despachar as tarefas mais analíticas cedinho. As tarefas mais rotineiras, devia deixar para a hora de almoço quando me dá a quebra. E o trabalho mais criativo no final da tarde e noite, quando é mais provável ter um raciocínio não linear.
  • Timing: não importa apenas quando se faz uma tarefa, mas em que contexto. Por exemplo, fazer algo muito aborrecido depois de algo estimulante, ainda acentua mais a chatice. O ideal é fazê-la após uma tarefa mais ou menos interessante. E deixar a mais excitante para o fim, como recompensa.
  • Forma: trabalhar em grandes blocos de tempo por tipo de tarefa (trabalho criativo nuns dias e trabalho burocrático noutros, por exemplo) é uma hipótese. No entanto, o autor refere estudos que comprovam que certas tarefas feitas em pequenos intervalos (15-20 minutos) são mais produtivas.

Gestão da atenção vs gestão do tempo

Por isso, se estamos a tentar aumentar a nossa produtividade, não devemos analisar como gastamos o nosso tempo. Devemos atentar no que consome a nossa atenção.

Achei esta perspectiva muito interessante e intuitiva.



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