Como escrever um diário pode melhorar a tua vida

como escrever um diário

Tenho um diário há mais de 20 anos. Não é o mesmo, claro. Ao todo, até devem ser mais de 20 cadernos. O primeiro foi um diariozinho com um cadeado oferecido pelos meus pais. E nunca mais parei. Por isso, se queres saber como escrever um diário pode melhorar a tua vida, continua a ler, este artigo é para ti.

Sou muito pouco exigente na minha prática de manter um diário. Não me obrigo a nada. Para mim, é mais um amigo do que uma ferramenta. (Agora que penso nisso, talvez um amigo secreto?) Basicamente, não tenho regras e recomendo. Mas nunca deixei de escrever e acredito mesmo que isso faz de mim uma pessoa melhor e mais rica.

Se for algo que faz sentido para ti, deixa-me mostrar-te como escrever um diário pode melhorar significativamente a tua vida.

O que é e como escrever um diário

Um diário é um registo, que pode ser escrito ou desenhado. Também pode ter outras formas, digamos, mais digitais, mas este artigo está mais focado na prática de um diário tradicional.

O teu diário é pessoal e não tem de ser partilhado com ninguém. Pode servir para expressar as tuas emoções, para desabafares, para tomares nota dos teus sonhos e ideias. Também é um belo registo que fica da tua vida. Às vezes, abro um diário antigo numa página ao calhas e sou transportada para outra eu. Da minha experiência, há muitas memórias e recordações que se perdem se não tomares nota delas.

As boas notícias é que não há uma forma certa ou errada de escrever um diário. As regras são tuas. Queres escrever a palavra “PORQUÊ?” em maiúsculas numa página inteira? Por que não? Queres contar em detalhe aquilo que sonhaste ontem à noite e que ninguém tem paciência para ouvir? Vamos a isso. Vais descrever a casa dos teus sonhos, divisão por divisão? Também pode ser. Vale tudo!

Quando era mais nova, os meus pais ofereceram-me este livro e gostei muito. Precisamente porque desfaz algumas ideias pré-concebidas do que tem de ser um diário. Spoiler: não tem de ser nada! É teu, faz o que tu quiseres. O objectivo primordial é expressares-te. E só tu é que tens capacidade de julgar isso.

Coisas que já incluí no meu diário ao longo dos anos:

  • Letras de canções
  • Lista dos presentes que recebi e ofereci no Natal
  • Desabafos por o rapaz a que achava piada não me ligar nenhuma
  • Opiniões sobre o livro que estava a ler em determinado momento
  • Dúvidas existenciais
  • Citações inspiradoras
  • Queixas sobre os exames e o que me faltava estudar ainda
  • Relatos das viagens que fiz
  • Resultados dos jogos de vólei em que participava
  • Queixas sobre borbulhas
  • Uma notícia marcante (Portugal foi campeão da Europa! O 11 de Setembro, etc.)
  • O meu peso e planos de dieta
  • Sonhos de vida
  • Um sucesso que me tinha deixado orgulhosa
  • Planos para ser uma pessoa melhor
  • Peças de roupa que achava fundamentais ter no meu armário
  • Relatos do que andava a fazer
  • Descrições cruas do que estava a sentir

Como escrever um diário pode melhorar a tua vida

Mais um vez relembro que não sou psicóloga nem tenho qualquer formação na área. Mas acho que um diário é quase uma forma de terapia, tão acessível como esticares a mão e pegares numa caneta. Quantas vezes não comecei a escrever em lágrimas, ou nervosíssima, e terminei pelo menos a sentir que estava mais calma, mesmo que não tivesse resolvido a causa desses estados de espírito?

Escrever um diário pode ser uma experiência catártica desse género, intensa, de deitar tudo cá para fora. Também pode ser uma maneira de sentires que fizeste algo. Para algumas pessoas, estar activo ajuda a lidar com situações desafiantes e escrever não deixa de ser uma actividade.

É também uma forma de ganhar consciência: de uma emoção, de uma ideia, de um pensamento ou memória.

The very reason I write is so that I might not sleepwalk through my entire life.

Zadie Smith

Escrever, sobretudo à mão, que é o que recomendo para um diário, obriga-te também a desacelerar. Não escrevo à velocidade com que penso ou sinto, por isso sou forçada a acalmar o ritmo mental. Só isto já é maravilhoso nos dias que correm!

Também devo confessar que já me aconteceu fazer descobertas durante a escrita. Tipo os “a-ha moments” de que a Oprah fala. Escrever, tal como ter de explicar a alguém o que estamos a sentir, obriga-nos a reflectir um pouco. Mesmo quando estamos em modo “vómito”, com as emoções todas a rebentar, há um esforço mínimo de tentar clarificar o que se passa.

O que incluir num diário?

Vamos a isso. Começa por escolher um caderno que te pareça bem (lembra-te: não há regras): pautado, liso ou quadriculado, tu é que escolhes! Também podes usar caneta ou lápis. Cria um ritual à volta disso. Hoje em dia os meus cadernos preferidos têm capas simples (para não enjoar em Julho) e são pautados. O meu diário de 2020 é exactamente este da Moleskine.

Nunca edites o que escreveste. Não corrijas, não “melhores” (as aspas são porque já caí no erro de achar que ia melhorar certas passagens e, agora à distância, vejo que não foi o caso). Só tu é que vais ler e não te esqueças de que estás no tal espaço seguro.

E se a ideia de encarar uma página em branco te intimida, seguem algumas ideias para começares a escrever. Encara-as como “desbloqueadores de escrita”, mas liberta-te deles e segue o teu caminho quando estiveres pronta:

  • Começa por alguma coisa pela qual estás grata, tipo gratitude journal
  • Faz planos (para o dia, para a semana, para o mês)
  • Conta o que se passou nos últimos dias da tua vida
  • Imagina que estás a escrever uma carta a alguma amiga, ou a um filho, ou a ti própria no futuro
  • Listas, listas, listas
  • Parte de uma citação inspiradora
  • Escreve tudo o que te vem à cabeça, sem filtro, durante x páginas (“agora tenho de escrever x páginas, não sei o que escrever, o que posso escrever? não me posso é esquecer de pôr a máquina a lavar…”). Muitas vezes, ao fim de um certo dumping, o cérebro começa a libertar-se
  • Descreve algo que te tenha dado prazer ou um hobby


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E tu? Tens um diário? Sentes que te ajuda a viver melhor?


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