9 coisas que a mãe do Ruca faz e eu não consigo

mãe do Ruca

Depois de horas de visionamento da mãe do Ruca em centenas de episódios, preciso de desabafar. Não sou pessoa de alimentar ressentimentos, sobretudo em relação a personagens ficcionais, mas também sou humana.

Para quem não sabe o que é o Ruca: parabéns, aproveitem este período em que não têm filhos bebés para ir ao cinema, a festivais e ao Camboja. Este post é sobre desenhos animados e é só para quem sabe do que eu estou a falar. Voltem no próximo, que será sobre qualquer coisa mais simples, como filosofia ou física quântica.

Fiquei surpreendida com a quantidade de pais que há na Internet a dizer mal do Ruca. Como esta lista de razões pelas quais o Ruca irrita. Eu até gosto. É verdade que ele faz birras, pergunta muitas vezes porquê, é egocêntrico e pode ter uma voz irritante. Mas os miúdos de 3/4 anos não são assim? Para mim, são os adultos do programa, e não as crianças, que são irrealistas.

Voltando à mãe do Ruca, ela é o emblema do que actualmente se chama “conscious parenting” ou lá o que é. Faz tudo bem sempre, sem queixas. É irritantemente perfeita. E parece que sabe que o é, o que não ajuda. Por coincidência, o período da minha vida em que vi mais episódios do Ruca foi entre o último trimestre da segunda gravidez e os primeiros três meses do segundo filho. Ou seja, andei a levar com a mãe do Ruca na fase em que menos consegui ser uma mãe calma e bem dormida e pedagógica.

1. Não tem empregados domésticos

Exceptuando babysitters, nunca vi ninguém de fora a trabalhar naquela casa. E é uma casa grande, com corredores infindáveis e um grande jardim. A mãe do Ruca cozinha, faz as compras, lava a loiça à mão, paga as contas, rega o jardim, gere as finanças e trata da roupa. O pai do Ruca faz alguns arranjos em casa e no jardim. Mas acho que podemos concordar que o grosso do trabalho fica para ela. E a casa está sempre impecável.

Apesar de dizer muitas vezes que não tem tempo para brincar com o Ruca, está imenso tempo com os filhos em todos os episódios. E passa a ferro a sorrir.

2. Não tem problemas com o work-life balance

Não se percebe bem o que faz. Há um episódio em que o Ruca vai ao “escritório da mãe”, um edifício alto, com um ar bastante corporativo. Ela vai vestida com uma espécie de tailleur. E, às vezes, a mãe do Ruca tem de fazer uns telefonemas de trabalho a partir de casa.

Seja qualquer for o regime laboral que ela arranjou, funciona. Ela está em equilíbrio. Eles parecem viver sem grandes preocupações e ela nunca está stressada. Quando está em casa, está 100% em casa e no trabalho o mesmo. Uma raridade.

3. Transforma qualquer birra num #learning moment

O Ruca não quer tomar banho ou tem medo do vizinho ou perde a paciência com a irmã. A mãe do Ruca consegue não só interromper de imediato a birra, como o faz com um sorriso benevolente. E aproveita para ensinar a lição ao filho. Há sempre uma lição: devemos ser pacientes, ajudar os outros, assumir as nossas falhas, etc.

E nunca grita. A não ser para chamar os miúdos quando o jantar já está na mesa. E trata sempre o Ruca por fofinho, por muito insuportável que ele esteja a ser. E faz perguntas do estilo “e como achas que isso o fez sentir?”. Bah.

4. Ioga

Para quem tem tanto “ar de mãe”, é claramente uma atleta. Já praticou ballet, e pode ser avistada a dar piruetas em altura por cima da rega do jardim. Também sabe patinar no gelo eximiamente, nadar e andar de bicicleta.

Para além disso, já a vi num ou noutro episódio a fazer ioga calmamente num tapetezinho numa das salas. Às vezes usa uma bola de Pilates. Não só faz ioga, como faz ioga com um sorriso. E com uma linha de comboio do Ruca montada à volta dela. “Smile with your liver”, como dizia o velhote de Bali no Eat Pray Love.

5. Não acha o pai do Ruca um banana

Odeio dizer isto, mas acho o pai do Ruca um pateta. Não é por ser homem, o meu marido também acha. Ele é sempre o banana que entorna coisas sobre si próprio ou diz uma piada seca ou toma banhos de espuma com o patinho de borracha do Ruca.

E a mãe do Ruca ri-se das piadas dele. Olha apaixonadamente para ele quando ele levanta as sobrancelhas, sinal que está em modo romântico. Ele oferece-lhe algodão doce na feira e ela cora, como se estivessem no primeiro encontro. Há um dia em que fazem anos de casados e eles vão sair para comemorar. A mãe do Ruca leva luvas de ópera.

6. Conseguiu pôr os miúdos a lanchar aipo

Aipo. AIPO! E eles gostam. Também comem cenouras e passas ao lanche e brócolos e mirtilos. Um dia os avós preparam sandes com aipo eles dizem “mas a mamã põe sempre cenouras…”. Um dia comem pizza com uma grande taça de salada a acompanhar. Às vezes parece que estão a jantar só salada com legumes. Uma colecção de folhas verdes, como uma supermodelo em véspera de desfile. Ou um herbívoro.

Também ajuda o facto de a mãe do Ruca parecer adorar tudo. Parece ser o tipo de mulher que adora fazer limonada para os filhos ou salada para o jantar. E, suponho que ao fim-de-semana, um bolo ou chocolate quente.

7. Põe em prática o chamado “self-care”

Ah, o self-care. Tenho andado a pensar muito nisso, porque ainda não percebi bem o que é. Seja o que for, parece-me que a mãe do Ruca o domina. Ora vejamos, ela está sempre bem. Quando não está a trabalhar para a família com um sorriso, vêmo-la a dormir com um sorriso, a beber chá ou a ler um livro estendida no sofá. Não se mete em dietas loucas.

Há um episódio em que adormece no alpendre a ler e enquanto isso o filho de 4 anos dá uma volta ao bairro sozinho. Quando ele regressa, ela está a comer uma maçã. E nunca pede desculpa por nada.

8. Tem um guarda-roupa minimalista

É quase sempre o mesmo, chamemos-lhe assim, look: calças de ganga azul, camisola encarnada com folhos brancos/amarelos na gola e mangas, bandolete e sapatos azuis com lacinho verde. Em contextos de muito calor, a versão fresca é tudo igual mas com calções em vez de calças e a camisa sem mangas. Até o Ruca parece ter mais variedade de roupa que ela.

Muitas vezes vai à rua sem levar uma carteira. Será que cabe tudo nos bolsos? Também não deve investir muito em jóias.

9. Tem uma pele óptima

É verdade que ser ficcional ajuda. Mas mesmo assim. Não há ali marcas de sol, sinais, rugas, borbulhas, oleosidade, pontos negros, nada. A pele dela é igual à da Rosita. “A cútis de um bebê”, como diria o Caco Antibes. Também não tem bad hair days, aquilo sai sempre igual e parece low maintenance.

Resumindo

A mãe do Ruca é um misto de figura aspiracional e irrealista. Mas eu não me importo de ver o Ruca. Até acho muita piada ao verso da música “Às vezes faço um chinfrim / crescer é mesmo assim”.

E a menina?

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